Por Luis Jaime Acosta
MÉRIDA, Venezuela (Reuters) - Com muita confusão, milhares
de pessoas disputavam na segunda-feira um ingresso para o jogo
de terça-feira entre Venezuela e Uruguai pelo Grupo A da Copa
América, fazendo a alegria dos cambistas.
O jogo pode ser histórico para o time da casa, já que
nunca, em 40 anos de participações, a Venezuela conseguiu
passar às quartas-de-final da competição entre seleções mais
antiga do mundo. O outro jogo da rodada será Peru x Bolívia.
Com uma vitória e um empate, a Venezuela lidera o grupo,
com quatro pontos. Em seguida vêm Peru e Uruguai, com três
pontos cada. A Bolívia é a lanterna, com um.
"Está impossível a venda de ingressos, como venezuelana
fico triste porque não posso ir ver minha seleção jogar", disse
Oriana Barrientos, estudante de Contabilidade, enquanto
esperava sob o sol sufocante numa longa fila para tentar
comprar entradas na arena de touradas de Mérida.
"É uma desorganização terrível, as entradas quem tem é o
governo, e as poucas que restam não estão nas bilheterias, e
sim em poder de cambistas que pedem até três vezes o que
custa", disse a estudante, de 22 anos.
O governo de Hugo Chávez nega ter ficado com a maior parte
dos ingressos. Torcedores suspeitam que o governo teria feito
isso para evitar que as arquibancadas fossem tomadas por
militantes da oposição.
Uma entrada para o lugar mais barato no estádio custa
oficialmente 30 mil bolívares (13,90 dólares), mas os cambistas
vendem por 70 mil bolívares (32,50 dólares).
Para as tribunas leste e sul, que custavam originalmente 70
mil bolívares, o preço dos cambistas oscila de 110 mil a 140
mil bolívares (51 a 65 dólares). O setor VIP, cujo preço
oficial é de 240 mil bolívares (111,60 dólares) está saindo por
400 mil (186 dólares).
"Amigo, se vai comprar decida logo e pegue o dinheiro,
porque estão baratas, há muita procura e poucas entradas para
venda", disse um cambista ao repórter da Reuters nos arredores
da arena de touradas.
A previsão é de que o estádio Metropolitano de Mérida fique
com seus 42 mil lugares ocupados.
Além do caos no local da venda, centenas de pessoas
compraram ingressos pela Internet, mas não os receberam em
casa, como prometia a empresa responsável.
"Isso é uma falta de respeito, de seriedade, não há
garantia de que entraremos. Não deveríamos estar brigando por
uma entrada", disse Gabriel Rangel, um comerciante de 32 anos,
que esperava na longa fila da bilheteria.