Carlos Dias completa ultramaratona no gelo antártico
(Qua, 03 Dez, 06h17)
|
|
por , da redação Webrun
O ultramaratonista brasileiro Carlos Dias completou na última segunda-feira (01) mais uma etapa da ultramaratona 4 Deserts, a Copa do Mundo do Deserto, desta vez no gelo antártico. Inicialmente ele e mais 25 competidores deveriam correr 250 em seis etapas, mas devido às más condições do clima as duas últimas fases foram canceladas e a distância teve uma pequena redução. Antes de partir para a Península Antártica, ainda em Ushuaia, na Argentina, o navio que transportaria toda a delegação teve avarias no casco, o que atrasou o início das competições. Sentindo os efeitos do clima adverso e aliado ao forte balanço do mar, Carlos teve sintomas de gripe e enjôo, mas logo superou para seguir em frente na realização de mais um sonho. No primeiro dia tudo parecia uma grande festa, já que nas primeiras três horas de prova os pingüins e os imponentes icebergs deixavam a paisagem paradisíaca. “No inicio ate fiquei sem luvas por causa do calor que meu corpo gerava, mas depois tive que cobrir tudo”, lembra o competidor. Estreante em provas na neve, ele conta que teve dificuldades em se adaptar. “Tomei muitos tombos e quase torci meu tornozelo nas descidas”. A partir da segunda etapa a natureza inóspita começou a castigar o corpo e o organismo de Carlos Dias, que chegou a pensar em abandonar a prova. “Fiz a segunda etapa com cãibras na panturrilha e na virilha e terminei sem conseguir saber se voltaria para a terceira”, lembra o super atleta. De volta ao navio, ele tratou de descansar e alongar bem os músculos para encarar mais uma fase. Condições Extremas - “A terceira etapa foi extremamente fria, nevou muito durante todo o tempo e eu, estreante nesta condição, caí muito e senti uma exaustão tremenda. Segui me arrastando até o final”, comenta Carlos emocionado. Já na quarta parte da disputa, o brasileiro sentiu ainda mais dores no tornozelo, já que afundava os pés na neve fofa. “Quanto mais eu tentava correr, mais meu corpo ficava exausto”, ressalta. Para que as pessoas tenham uma idéia do esforço dedicado durante toda a prova, ele faz uma comparação com as corridas de rua. “Correr um quilômetro aqui equivale a cinco em uma rua normal e ficar uma hora correndo na neve equivale a quase uma maratona”. As duas últimas etapas tiveram que ser canceladas, pois as ondas do mar eram tão grandes e tão fortes, que ao bater contra o casco do navio, fazia com que os suprimentos e a mobília fossem arrastados para longe. “Minha sensação agora é de alívio por ter cumprido essa prova. Enfrentamos temperaturas abaixo de zero, umidade relativa do ar em 100% e uma exaustão quase que incontrolável”, comenta o Crocodilo da Neve, como Carlos se auto intitulou, em referência a seu patrocinador, a Crocs. Ele também aproveita para agradecer a todos os que mandaram mensagens de apoio durante mais essa empreitada e diz que sentiu muitas saudades de sua mãe e de seu filho Vinicius. “Obrigado ao Douglas, à Ratinho, Vanessa, minha mãe e irmãs, Taisa, Pablo e Rodrigo. Vocês me animaram a seguir sempre”. A competição teve vitória do sul-africano Paul Liebenberg entre os homens e da americana Louise Cooper, entre as mulheres, enquanto o também americano Dean Karnazes faturou o título geral, por ter acumulado a pontuação mais alta em todos os quatro desertos ao longo da temporada.
|
|
|