Por Mike Collett
ZURIQUE, Suíça (Reuters) - O presidente da Fifa, Joseph
Blatter, afirmou nesta quinta-feira que o fato de a Inglaterra
estar fora da Euro 2008 explica-se em parte pelo fato de os
times do Campeonato Inglês ajudarem os jogadores estrangeiros a
atingirem seu auge, contribuindo para o sucesso das outras
seleções.
Blatter, em uma entrevista concedida à Reuters na
Universidade de Zurique, afirmou: "O futebol é imprevisível e
algumas vezes sem lógica nenhuma. Mas o fato é que nos times
ingleses mais fortes os melhores jogadores nem sempre são
ingleses".
"Então, de onde vêm os melhores jogadores ingleses? Eles
vêm dos times menos fortes, o que está enfraquecendo a seleção
da Inglaterra. O que está ocorrendo na Inglaterra é que os
melhores times estão preparando os jogadores das seleções
adversárias da Inglaterra."
"O Campeonato Inglês vem ajudando outros países a
participarem dos campeonatos europeus, mas não a Inglaterra",
disse.
A seleção inglesa não conseguiu chegar à Euro 2008, que
começa no sábado, ao ficar atrás da Croácia e da Rússia nas
eliminatórias, após ter perdido por 3 x 2 para os croatas no
último jogo.
REGRA DO '6+5'
Blatter concedeu a entrevista depois de ter feito um
discurso dando início a um fórum sobre o futebol a ser
realizado durante dois dias em Zurique. O presidente da Fifa
viajou em seguida para Bruxelas.
Na capital belga, ele visitou a sede da União Européia (UE)
e reuniu-se com Hans-Gert Poettering, presidente do Parlamento
Europeu, como parte de seus esforços para convencer os
parlamentares europeus a aprovarem a polêmica regra da cota
para estrangeiros nos clubes, conhecido como "6+5."
Blatter afirmou estar determinado a dar prosseguimento a
seus esforços diplomáticos para que cada clube tenha em campo
no máximo 6 estrangeiros, ao lado de 5 atletas que possam
defender a seleção de seu clube.
"Estou feliz com o fato de isso ter sido aceito, de que o
diálogo continua. E, enquanto continuarmos conversando, haverá
sempre uma chance de encontrarmos uma solução", disse à Reuters
TV.
Blatter recebeu, na semana passada, do Congresso da Fifa, a
incumbência de continuar negociando formas de fazer com que
essa regra seja adotada na União Européia, onde existe uma lei
em vigor que permite a livre circulação de trabalhadores dos
países-membros do bloco.
O presidente da entidade máxima do futebol disse estar
perto de achar uma solução para o plano inicialmente rejeitado
pela entidade que comanda o futebol europeu, a Uefa, e pelo
presidente dela, Michel Platini.
"Houve muita oposição a esse plano desde que ele surgiu
pela primeira vez, dois anos atrás, no Congresso da Fifa em
Munique. E a oposição continua a vir da Uefa, que não quer
entrar em rota de colisão com a União Européia."