HAVANA (Reuters) - Dois astros do boxe de Cuba, que
tentaram desertar durante os Jogos Pan-Americanos do Rio de
Janeiro e foram deportados pelo Brasil, voltaram neste domingo
à capital Havana, onde o líder cubano Fidel Castro disse que
não serão presos.
A televisão estatal cubana anunciou em um comunicado que
eles chegaram a Cuba nesta madrugada, depois de serem
deportados no sábado à noite do Rio de Janeiro.
Guillermo Rigondeaux, bicampeão olímpico da categoria 54
quilos, e o campeão mundial dos 69 quilos, Erislandy Lara, que
abandonaram sua equipe no mês passado, foram detidos na
quinta-feira em Praia Seca, em Araruama, no litoral do Rio de
Janeiro por estarem sem documentos.
Em um artigo publicado neste domingo, Fidel Castro prometeu
que os dois serão tratados de maneira justa.
"Serão oferecidas a eles tarefas decorosas e em favor do
esporte, de acordo com seu conhecimento e experiência", disse
Fidel Castro no mais recente de seus textos no jornal Juventud
Rebelde.
"Nenhum tipo de detenção espera esses cidadãos", disse
Fidel.
Logo após abandonar sua equipe, os boxeadores aparentemente
desejavam viajar à Europa e não solicitaram asilo ao Brasil.
Entretanto, depois de sua detenção disseram que queriam
regressar a Cuba e que teriam sido enganado por empresários.
Durante os Jogos do Rio, Fidel criticou as deserções
qualificando-as como uma "traição por dinheiro" e disse que os
boxeadores "simplesmente foram nocauteados com um golpe direto
na mandíbula, pago com dólares dos Estados Unidos".
Mas neste domingo Fidel Castro se mostrou mais indulgente,
indicando que os esportistas seriam encaminhados a uma casa de
hóspedes para reunir-se com suas famílias depois da chegada e
que terão permissão para falar com a imprensa.
Entretanto, Fidel não declarou se voltarão a lutar.
O líder cubano de 80 anos, que não aparece em público desde
que se submeteu a una cirurgia intestinal há um ano, tem
recorrido aos artigos como uma maneira de reafirmar sua
presença em Cuba e não perde uma oportunidade de atacar seu
rival ideológico, os Estados Unidos.
Nos últimos anos, alguns dos principais jogadores de
beisebol cubano, como José Contreras e Orlando "El Duque"
Hernández, desertaram para os Estados Unidos, motivados pelas
ofertas milionárias das grandes ligas.
Nos Jogos Pan-Americanos de 1999 em Winnipeg, 13 cubanos
desertaram, e em dezembro passado os boxeadores cubanos Yan
Barthelemy, Yuriolkis Gamboa e Odlanier Solis abandonaram suas
delegações enquanto treinavam na Venezuela. Atualmente os três
buscam carreiras profissionais na Alemanha.
(Por Marc Frank)