Por Sílvio Lancellotti, especial para a Reuters
SÃO PAULO (Reuters) - Nas oitavas-de-final da Copa
Sul-Americana, apenas o Cruzeiro de Belo Horizonte soterrou sua
aventura nesta quarta-feira, mesmo depois de sobrepujar, no seu
Mineirão, o Vélez Sarsfield, 2 X 1. Continuam adiante o
Corinthians, que arrancou um empate do River Plate, como
visitante (1 X 1), e o Fluminense, que segurou o placar de 0 x
0, contra o Banfield.
Estréia do veterano treinador Antônio Lopes no comando do
seu elenco, o Corinthians viajou à Argentina com uma tarefa
dificílima em sua bagagem -- bater o River Plate, no alçapão do
Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, e se resgatar do seu
reles empate de 0 X 0 no cotejo de ida do Morumbi.
Então, mais preocupado com o Nacional, Márcio Bittencourt,
a quem Antônio Lopes substituiu, escalou um time basicamente de
reservas. Lopes, menos recatado, na emergência, optou por
colocar, no Monumental, todos os titulares disponíveis --
embora em uma formação demasiadamente fechada, a sua retaguarda
supostamente protegida por quatro volantes, Bruno Octávio,
Fabrício, Hugo e Marcelo Mattos; o avante Tevez sozinho na
frente, meramente apoiado pelo talento isolado e irregular do
bom Roger, o seu armador.
O River complicou a intenção de Lopes antes dos 15 minutos
do combate, num belo voleio de Santana, desfrute de um
cruzamento, distraída a defesa do Corinthians, o primeiro gol
do River em cinco jogos, logo depois de um petardo de Gustavo
Nery no travessão de Lux.
No intervalo, no papel, Lopes tentou ampliar a sua
agressividade, ao inserir Bobô no posto de Hugo, o mais
ofensivo dos seus volantes. Errou. Bem melhor seria a
habilidade de Carlos Alberto, que se aquecia esterilmente na
lateral. De todo modo, nos acréscimos, um cruzamento caiu bem
na testa de Marinho, em pleno sufoco, 1 X 1.
Também em Buenos Aires, com dez desfalques mas confortado
pelo seu triunfo, no Rio, por 3 X 1, no prélio de ida, o
Fluminense desafiou o Banfield, o mais aguerrido e o mais
violento dos platinos da competição. O placar de 0 X 0
assegurou a qualificação do clube dirigido por Abel Braga.
O Cruzeiro, que havia tombado diante do Vélez Sarsfield, um
outro da Argentina, nos domínios do inimigo, 0 X 2, com os seus
reservas, necessitava, ao menos, de um marcador igual, no
Mineirão, para levar a punga à disputa de pênaltis.
Não bastaram os titulares que P. C. Gusmão enfim escolheu.
O Cruzeiro só venceu por 2 (Diego, ambos) X 1 (Castromán), e
acabou eliminado da Copa. Muito tensa, muito rude, a pugna se
encerrou com duas expulsões de cada lado.
Nesta quinta-feira, o Internacional, o quarto remanescente
do país na Copa, tem de preservar, em Porto Alegre, a vantagem
que já saboreou, como visitante, diante do Rosário Central,
mais um clube da Argentina, 1 X 0. Obterá a sua classificação
caso segure, no mínimo, o marcador de 0 X 0.