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Tênis
Mata a cobra e não mostra o pau
(Sexta-Feira, 30 de Setembro, 11h11)
 

Por Paulo Cleto

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Polêmicas! O sueco Magnus Norman, mesmo chegando a ser o 2º do ranking mundial, e só não foi o 1º porque Gustavo Kuerten o derrotou na final de Roland Garros, sempre foi um personagem opaco no tênis mundial. E pelo que dava para ver, fora do tênis deve ser ainda mais apagadão. Até chegou a namorar a Martina Hinguis para ver se dava uma turbinada na imagem, mas nem ela o agüentou. Nos vestiários era considerado um tanto estranho. Volta e meia, possivelmente se mordendo por uma razão ou outra, dava umas cutucadas gratuitas em outras estrelas do circuito, que não davam muita atenção porque, afinal de contas, “esse é o Norman”.

Por isso, não chega a ser uma graaaande surpresa, o sueco lançar um livro falando mal de André Agassi, e sabe-se lá de quem mais, já que não o li, pois só tem em sueco. Na verdade, quem escreveu foram dois jornalistas – o Norman só ditou. E eu fico pensando para que precisa de três caras para escrever algumas bobagens.

A história de maior impacto do livro, pelo menos na Suécia, é que Norman diz - deixando uma séria dúvida no ar, o que é típico de quem não tem o que fazer ou carece de personalidade - que Agassi teria realizado um exame antidoping acusando o uso de nandralona. Norman insinua também que a ATP, o sindicato dos tenistas e organizadora do circuito profissional masculino, encobriu o caso para não danificar a imagem do super-ídolo, e, conseqüentemente, do circuito. Vale lembrar que Norman recém abandonou o circuito por uma contusão semelhante a de Gustavo Kuerten.

A nandralona é uma droga que visa uma recuperação mais rápida de uma contusão. Não é nenhum segredo que Agassi vinha tomando injeções de cortisona, por conta de uma contusão, o que é permitido nas regras do antidoping, desde de que comunicado e supervisionado pela entidade. Cortisona sim, nandralona não.

A menos de um ano, o inglês Greg Rusedski foi a julgamento por conta da mesma acusação. Foi inocentado porque a ATP admitiu que havia a possibilidade deles ter sido contaminado por suplementos alimentares distribuídos pela própria ATP. Na época, o inglês chiou barbaridades, e falou, para quem quisesse ouvir, que a ATP estava acobertando os casos de outros tenistas, enquanto ele servia de boi de piranha. Agora Norman diz que um deles era Agassi.

Quem teria que dar explicações é a ATP e a WADA, este o órgão internacional que realiza o exame antidoping para o tênis e, praticamente, para todos os esportes olímpicos. O estranho é que o caso, até agora, não teve nenhuma repercussão nos EUA e na Europa. As únicas notícias vêm da Suécia, onde foi publicado o livro. Ou ninguém está dando crédito ao Norman, ou é um complô, conforme insinua o tenista. O certo, pelo menos para mim, é que, ou Norman confirma sem restrições e prova o que disse, ou é mais um caso de alguém cuspindo no prato em que comeu.

 
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