SÃO PAULO (Reuters) - O ex-pugilista norte-americano Mike
Tyson se envolveu em uma confusão com um cinegrafista na
madrugada desta quinta-feira em uma casa noturna de São Paulo e
foi levado a uma delegacia da cidade. Após prestar depoimento
com a ajuda de um intérprete, ele foi solto.
Tyson poderá deixar o país normalmente, porque é acusado de
um delito menor, segundo o delegado Roberto Calaça, titular do
27o. Distrito Policial, na região do Campo Belo.
O norte-americano estava na casa noturna Bahamas, na zona
sul de São Paulo, quando se irritou ao ser filmado pelo
cinegrafista Carlos Mello, do SBT, por volta das 2h.
"O repórter do SBT passou a filmá-lo. Ele pediu para que
parasse e o repórter não parou. Então o Tyson partiu para cima,
tomou a filmadora, destruiu a fita e causou danos ao
equipamento", afirmou Calaça.
O cinegrafista alegou que teria sido atingido na cabeça
pelo ex-campeão mundial dos pesos-pesados e a delegacia pediu
um exame de corpo de delito para verificar se houve a agressão.
"Não acreditamos que tenha havido lesão, porque o mundo
todo conhece o soco dele e o repórter não aparenta nenhuma
lesão", observou Calaça.
Antes de ser detido, o norte-americano foi para outra casa
noturna de São Paulo, a Love Story, no centro da cidade. A
Polícia Militar foi até o local e pediu para o ex-pugilista
acompanhá-la até a delegacia para esclarecimentos sobre a
acusação do cinegrafista.
Segundo Calaça, não houve resistência e Tyson foi
"superamável".
"Ele disse que reagiu a uma agressão do repórter. Falou que
pediu duas vezes para que parasse e a nossa legislação prevê o
direito à privacidade. Mas da forma como reagiu ele fez uso da
força e isso é crime", completou.
Tyson responderá a um processo por lesões corporais e danos
e terá que comparecer à Justiça na sexta-feira, para
notificação do caso.
O delegado explicou que, se for confirmada uma agressão
física, Tyson possivelmente terá como punição o pagamento de
algumas cestas básicas, além do ressarcimento dos danos
materiais causados ao equipamento do cinegrafista.
MULHERES E PRECONCEITO
Dois taxistas que são de um ponto próximo à Love Story
disseram à Reuters nesta quinta-feira que o ex-pugilista havia
ido ao mesmo local também na madrugada anterior.
Segundo eles, Tyson chegou na madrugada de quarta-feira
usando a camiseta da seleção argentina que ganhou do ex-jogador
de futebol Diego Maradona, após ter participado de seu programa
de entrevistas na TV, "La Noche del 10", na segunda-feira.
Os taxistas contaram que Tyson saiu da boate no centro
naquela noite acompanhado de uma jovem morena que não falava
inglês. Um dos taxistas diz ter levado os dois para o Hotel
Crowne Plaza, onde Tyson está hospedado.
Segundo um funcionário do hotel, Tyson chegou a ser
impedido de entrar no local com seis mulheres e, após o
incidente com o cinegrafista, teria afirmado que quebraria
qualquer câmera de jornalista que fosse apontada para ele
dentro do hotel.
Os taxistas afirmaram que, com a ajuda de um tradutor,
conversaram com Tyson, que falou sobre rap, boxe e preconceito.
"Ele disse que nos Estados Unidos não podia respirar
tranquilamente, de tanto preconceito que as pessoas têm com
ele", afirmou Ronaldo Tadeu, 38, taxista há 10 anos.
Tyson foi preso por diversas vezes nos EUA, por crimes que
variaram de agressão a roubo. Um dos casos mais marcantes foi
uma pena de seis anos de prisão, em que cumpriu três, pelo
estupro da modelo Desiree Washington.
"Gosto muito do Brasil, mas mal cheguei e não posso mais
curtir", teria dito o ex-pugilista, que chegou ao país na noite
de terça-feira, segundo Tadeu.
De acordo com a assessoria do hotel, Tyson tem reserva
válida até a sexta-feira, mas pode deixar o local nesta noite.
Durante sua estada, ainda segundo a assessoria, o ex-pugilista
não fez pedidos extravagantes, mas apreciou a feijoada
brasileira e o relaxante chá de camomila.