Até os 14 anos, João Bosco de Freitas Chaves só queria saber de surfar. Rotina nem um pouco desagradável, ainda mais para quem morava em Recife. Mas na praia, quando as ondas não ajudavam, trocava a prancha pela bola de futebol, sem imaginar que ali estaria sua profissão. Agora, aos 31 anos, será o goleiro titular do São Paulo, pelo menos por seis semanas, enquanto Rogério Ceni se recupera da cirurgia no joelho esquerdo.“Para falar a verdade, eu nem gostava muito de futebol. Minha paixão sempre foi o surfe. Mas, por acaso e com o incentivo de algumas pessoas, fui tomando gosto e deixei o surfe para segundo plano”, conta o jogador, contratado do Fortaleza no fim do ano para a disputa do Mundial de Clubes.
Bosco só trocou de esporte por insistência do pai, Carlos Chaves, que o levou para o Vitória de Santo Antão (PE). De lá, foi para o Sport, onde ficou conhecido; passou por Cruzeiro, Portuguesa, Sport (de novo) e Fortaleza, antes do Paulo. Se tivesse seguido os conselhos da mãe, Iramaê, talvez estivesse no Exército. “Fui dispensado porque já era casado.”
Em menos de um mês de São Paulo, já tem no currículo um título mundial. Foi isso que mais pesou na hora de trocar a titularidade no Fortaleza pela reserva de Ceni. “Vim sabendo que teria poucas chances, mas não podia deixar essa chance passar. Tenho certeza que oito em dez goleiros gostariam de estar aqui. Não é demérito ser reserva do Rogério.”
Reserva? Bosco será titular ao menos nas primeiras rodadas do Paulista. Por pouco, não foi no Mundial, quando Ceni sentiu a lesão. “Eu tinha certeza de que, mesmo com dor, ele jogaria. E mais do que ninguém ele merecia estar ali.”
Assim como seu pai, Bosco dá conselhos ao filho Lucas, de 8 anos. Nada a ver com surfe, nem Exército e muito menos com ser goleiro. “Já avisei: ele tem de ser atacante. Atacante é que vai para a Europa ganhar dinheiro... Goleiro não...”, brinca.