Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - De capitão, ídolo e titular
absoluto a um jogador veterano que ainda precisa provar sua
capacidade física para garantir espaço no grupo. Essa é a
trajetória seguida por Nalbert, que abriu mão de descansar em
Miami para tentar disputar, em Pequim, a quarta Olimpíada da
carreira.
De férias marcadas e passagem comprada para os Estados
Unidos, o jogador desistiu do programa após ter recebido uma
inesperada ligação do técnico Bernardinho, convidando-o para
treinar com a seleção masculina de vôlei na preparação para a
Liga Mundial e os Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto.
"A chama estava praticamente se apagando, mas esse
telefonema reacendeu completamente", disse Nalbert, que nesta
terça-feira começou a treinar com a equipe, às 8h da manhã, no
centro de treinamento em Saquarema (RJ).
Nalbert, ícone do time multicampeão sob o comando de
Bernardinho, trocou as quadras pelo vôlei de praia após a
conquista do ouro olímpico em Atenas-2004. No ano passado, ele
fez o caminho inverso numa tentativa de disputar os Jogos
Pan-Americanos do Rio de Janeiro, sua cidade natal, mas uma
lesão impediu seus planos.
Recuperado, ele manteve a decisão de jogar vôlei de quadra,
e no mês passado foi vice-campeão da Superliga, jogando pelo
Telemig Celular/Minas. O convite de Bernardinho para voltar à
seleção aconteceu após a participação na final da competição.
"Disse a ele que tinha certeza que com o trabalho que é
feito na seleção, valia a pena pelo menos tentar", disse
Nalbert. "Ponderei que já estou com 34 anos e preciso de alguns
cuidados especiais, mas ele disse que isso também aconteceria
com outros jogadores mais experientes."
A trajetória de Nalbert lembra o caminho seguido por
Giovane, outro campeão olímpico das quadras que tentou a sorte
em vão na praia e depois retornou para a seleção em papel
coadjuvante.
"O Giovane é um grande exemplo disso tudo. Antes de ir para
praia, ele era titular absoluto, e voltou numa condição de
reserva, compondo o grupo. Eu me espelho muito nele. Minha
condição aqui é parecida com a dele", afirmou o jogador, que
garantiu que essa será sua última participação na seleção.
Para Bernardinho, ter Nalbert no grupo que se prepara para
Pequim é importante tanto dentro como fora de quadra. O
ex-capitão aumenta a competição pelas 12 vagas na Olimpíada, e
obriga os 19 convocados a mostrarem o máximo de seu potencial.
"O mais importante é que ele continua no campo de batalha.
Isso demonstra a vontade de leão de um cara que não precisaria,
mas que quer", afirmou o técnico sobre Nalbert.
Depois que encerrar a carreira na seleção, Nalbert pretende
realizar mais um sonho: montar e defender um time do Rio na
Superliga. "Ideal mesmo seria o Flamengo, mas acho que eles não
têm um projeto para isso."