Por Chris Buckley
PEQUIM (Reuters) - Quatro estrangeiros, dois americanos e
dois britânicos, foram detidos pela polícia de Pequim nesta
quarta-feira porque protestavam e pediam pela independência do
Tibet enquanto o revezamento da tocha olímpica era realizado
pela cidade, divulgou a mídia estatal.
Eles estavam "abrindo uma faixa pró-independência do Tibet
em inglês", disse a breve nota da agência de notícias Xinhua.
As faixas tinham os dizeres "Um mundo, um sonho. Libertem o
Tibet", parafraseando o slogam dos Jogos. Uma das faixas tinha
escrito "libertem o Tibet" em chinês.
Os quatro, três homens e uma mulher, se juntaram perto do
Estádio Ninho de Pássaro, onde será a cerimônia de abertura.
Dois deles subiram em postes com instalações elétricas para
estender a faixa, segundo a agência Xinhua.
Tenzin Dorjee, diretor da entidade Estudantes Pela
Liberdade do Tibet, disse que o protesto foi para enfatizar as
reinvidicações sobre a região, poucos dias antes do início dos
Jogos.
"Enquanto as lideranças chinesas se preparam para mostrar
grandeza e poder em Pequim, há uma cruel campanha de repressão
dentro do Tibet", disse Dorjee em um comunicado por e-mail.
A polícia correu para o local depois de 12 minutos e tirou
os estrangeiros de lá, ainda segundo a Xinhua.
Um porta-voz da embaixada britânica disse que requisitou
imediato acesso consular aos cidadãos britânicos presos.
Em outro ponto da cidade, um pequeno grupo de jornalistas
estrangeiros assistiam à exibição de um novo documentário sobre
a opinião dos tibetanos sobre a Olimpíada feito por um grupo
pró-Tibet.
O revezamento da tocha passou em meio a protestos contra o
domínio chinês sobre o Tibet durante trechos do percurso em
Paris, Londres e outras cidades.
Na quarta-feira, foi iniciada a etapa final do revezamento
através de Pequim, sob segurança cerrada, pouco antes da
cerimônia de abertura que está marcada para esta sexta-feira.
A China acusou seguidores do Dalai Lama, o líder tibetano
budista que está no exílio, de inspirar revoltas e protestos em
regiões do Tibet em março, como forma de desviar a atenção da
Olimpíada. O Dalai Lama negou esse tipo de atitude e disse que
não é contra os Jogos Olímpicos.
Mas grupos em campanha pela independência do Tibet
afirmaram que a Olimpíada de Pequim deveria ser uma
oportunidade para divulgar suas críticas à política chinesa.