LANCEPRESS
Com 72 anos de idade e 41 de Grêmio, o superintendente de futebol Antônio Verardi confessa que nunca viu a torcida tricolor tão forte como do ano passado para cá.
— Ela adotou um novo estilo de torcer. Não pára nunca de pular, cantar, alentar. A gente sabe que os times é que levantam a torcida, mas esta aí é difícil de se abater, apóia nos piores momentos — emociona-se Verardi. O núcleo duro, o grupo que empolga o estádio para o rugido total, chama-se "Geral do Grêmio", e reúne de 5 mil a 10 mil fanáticos que ficam atrás da baliza sul, em pé, fazendo a avalanche a cada gol.
Paulo Saldanha, 45 anos, técnico de informática, um dos fundadores, lembra que em 2003 o time tomava 4 a 0 do Atlético-PR e os cantos de alento continuavam.
— Se hoje tem muitos donos de cadeiras que preferem se juntar àquele inferninho, não é por acaso — diz ele.
O que os jogadores acham?
— Me sinto em casa. Em empolgação e lealdade, a torcida do Grêmio está no nível das do Boca e do River — testemunha o atacante argentino Herrera, que corre para a "Geral do Grêmio" a cada gol que marca.
— Nunca pensei em encontrar uma torcida argentina aqui. Acho isso maravilhoso — faz coro o também portenho Maidana.
— Antes era só o Santos que metia medo nos adversários quando atuava em casa. O Grêmio está igual - afirma o lateral-direito Patrício.
Essa imagem pode estar mais forte agora, mas é antiga. Verardi conta um caso de 2000. O Grêmio ia usar uma nova camisa, toda azul, e o atacante Palhinha implorou:
- Não, não. Vamos com a tricolor. Vocês não sabem como esses signos, tipo Olímpico cheio e a camisa tradicional, diminuem a confiança do adversário. 13:02 22/10/2006