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Hoje em esportes
Careca, o gol de sorte e
(Sex, 23 Fev, 05h38)
 

Por Celso Unzelte

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No dia 25 de fevereiro faz 20 anos. Guarani e São Paulo decidiam em Campinas, com atraso de dois meses, o título brasileiro de 1986. Após o 1 a 1 no tempo normal, o Bugre fez 2 a 1 na prorrogação (3 a 2 no placar geral). Então, no último lance do jogo...

“Dá para o Careca que ele resolve.” Reza a lenda que foram essas as palavras ditas pelo goleiro Gilmar antes de o zagueiro Wágner Basílio levantar a derradeira bola, da intermediária, naquele jogo decisivo. O árbitro José de Assis Aragão se preparava para encerrar a partida. O hino do Guarani de Ricardo Rocha, Marco Antônio Boiadeiro, Evair e João Paulo, virtual campeão brasileiro de 1986, já ecoava nos alto-falantes do Estádio Brinco de Ouro da Princesa.

Então, a bola chegou aos pés de Careca, estrategicamente colocado à esquerda de seu ataque, dentro da área adversária, quase na linha de fundo. Justo aos pés dele, artilheiro do Brasileirão daquele ano com 25 gols, que havia sido revelado aos 17 anos como o garoto-prodígio do próprio Guarani campeão brasileiro em 1978 e, agora, preparava-se para brilhar no Napoli da Itália ao lado de Maradona. Gol de Careca, empate por 3 a 3. Nos pênaltis, São Paulo 4 a 3, com direito a pênalti perdido pelo próprio herói Careca.

Genialidade? Sexto sentido? Destino? Senso apurado de colocação? Segundo o próprio Careca, existe uma explicação bem mais simples para ele estar justamente ali, naquela hora, tornando-se o homem certo na hora e no lugar certos. Desde os tempos em que jogava no próprio Guarani, Careca continuava morando em Campinas. Depois do apito final, com o time da casa campeão, seria um inferno para ele chegar em casa. Por isso, quando o jogo foi se aproximando do fim, Careca procurou ficar cada vez mais próximo da saída do campo. Justamente ali, onde ele estava na hora em que mudou o destino daquela taça. E provando que também de sorte se fazem os grandes campeões.

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É só repara na clássica fotografia do São Paulo campeão brasileiro de 1986, aquela tirada na noite de quarta-feira dos 3 a 3 com o Guarani. Nela, aparecem o lateral-direito Fonseca, o goleiro Gilmar, os zagueiros Wágner Basílio e Darío Pereyra e o volante Bernardo, em pé; e os atacantes Müller, Silas, Careca, Pita e Sídney, agachados. Dez jogadores, portanto. Faltou posar o lateral-esquerdo Nelsinho, dizem que subitamente acometido por uma dor de barriga...

 
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