O primeiro a propor um hino de time de futebol sem as palavras “salve salve, campeão e coração” foi o conhecido cantor e compositor Juca Chaves. Assim surgiu a música com que ele, Juca, homenageia seu Tricolor: “São Paulo, São Paulo, São Paulo meu amor”.
No entanto, há mais combinações bizarras nos hinos de times de futebol do que supunha Juca Chaves em sua vã filosofia. Na minha árdua tarefa quinzenal de pesquisar pelo menos um hino por programa para o Loucos por Futebol, da ESPN Brasil, tenho deparado com verdadeiras pérolas, que agora passo a compartilhar com vocês.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Um dos maiores problemas dos autores de hinos de clubes é a rima. Em nome dela, muita gente boa já cometeu barbaridades. O renomado Lamartine Babo, por exemplo. Talvez na falta de uma palavra mais adequada que aquela que logo vem à mente da maioria das pessoas na hora de rimar com “Bangu”, este verdadeiro mestre da MPB tascou: “E a torcida reunida mais parece a do Fla-Flu/ Bangu, Bangu, Bangu...”
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Ainda no capítulo rimas, o falecido jornalista Renato Silva, autor das letras dos hinos de nove entre dez clubes do interior de São Paulo, teve o mesmo problema. E apelou: “Vamos lá, rapaz/ Vamos lá, menino/ Venham, vamos todos/ Futebol é Bragantino...” É de Renato Silva, ainda, a autoria da seguinte seqüência, para o Olímpia, da cidade paulista de mesmo nome: “Olímpia, coisa linda... Divino é te querer!” Já o professor Pedro de França Reys, incumbido da letra do hino da Associação Sportiva Arapiraquense, o popular Asa de Arapiraca, Alagoas, disparou logo na primeira estrofe: “Na terra dos marechais, um clube esportivo se destaca/ Pelo valor de seus craques, o ASA de Arapiraca”.
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
E se a rima permitir homenagear uma pessoa, tanto melhor. De preferência o mecenas que, com seu dinheiro, sustenta o clube. Foi o que fizeram Flávio Augusto e Carlos Rocha no hino do União São João de Araras, mantido pela usina de açúcar de Hermínio Ometo. A certa altura da letra, eles não têm o menor pudor em bajular: “Tens a garra e o fascínio de teu pai, o grande Hermínio...”
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Em alguns casos, porém, acontece justamente o contrário: a missão é encaixar o nome do benfeitor, custe o que custar. Ou melhor, “rime como rimar”. Foi assim que José Dagnoni e Hermosa Murbach chegaram à seguinte “pérola do cancioneiro futebolístico”: “Salve, salve, União Barbarense, um orgulho de pais e de mães/ Tens o nome gravado na história, teu patrono, salve Antônio Guimarã-ães...”
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *
Mas difícil, mesmo, vai ser alguém superar o recorde de homenagens pessoais alcançado pelo trio Sydney Jordão, Jackson Rangel Vieira e Ademir Alves, que compôs o hino do Cachoeiro Futebol Clube, de Cachoeiro do Itapemirim (ES). Aquele que diz: “Terra de astros, do poeta Nílton Braga/ Sampaio, Rubem Braga/ E do Rei Roberto Carlos...”
* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *