Com Romário, a marca dos 1 000 gols voltou a ser assunto. Igualzinho ao que já havia acontecido com Pelé, o primeiro a alcançá-la, em 1969. E assim como está acontecendo com o Baixinho, o feito do Rei do Futebol também gerou muita polêmica naquela época.
Para começar, a conta dos 1 000 gols de Pelé era de Adriano Neiva da Mota e Silva, o De Vaney, jornalista e historiador do Santos. Mas para outros jornalistas, como o também historiador Thomas Mazzoni, redator-chefe de A Gazeta Esportiva, aquela conta não batia: seriam, na verdade, dois gols a mais. Em suas edições de 20 de novembro de 1969, dia seguinte ao histórico gol de pênalti marcado contra o Vasco, os jornais do mundo inteiro festejaram o feito. Só A Gazeta Esportiva, por ordem de Mazzoni, ousou ir às bancas com um título “neutro”, algo como “Santos bate o Vasco: 2 x 1”.
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Conforme a marca do milésimo gol ia se aproximando, tanto o Santos quanto o próprio Pelé começaram a se esforçar para que ele fosse marcado em um palco à altura. No caso, o Maracanã, onde os santistas tinham um compromisso marcado para 19 de novembro, Dia da Bandeira, contra o Vasco, pelo Robertão, o Campeonato Brasileiro da época. O problema é que o Rei já contabilizava 998 gols, e antes daquela partida ainda faltava cumprir um amistoso contra o Botafogo da Paraíba e um jogo pelo Robertão, contra o Bahia.
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Em João Pessoa, no dia 14 de novembro, Botafogo paraibano e Santos enfrentaram-se na inauguração do hoje desativado Estádio Governador José Américo de Almeida. O Santos já ganhava por 2 a 0, dois gols de Manoel Maria, quando, aos 21 minutos do segundo tempo, Pelé fez o terceiro do jogo (999º de sua carreira), cobrando um pênalti no goleiro Lula. O risco de Pelé fazer o milésimo gol longe demais dos holofotes era muito grande, e por isso ele acabou indo jogar o tempo que restava no gol. Sob as vaias do público local, que queria presenciar o gol 1 000.
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Dois dias depois, em 16 de novembro, o Santos empatou com o Bahia (1 x 1), em Salvador, pelo Robertão. Dessa vez, Pelé até que se esforçou: depois de driblar o goleiro Jurandir, tocou em direção às redes. Mas no meio do caminho apareceu o zagueiro Nildo, do Bahia, para salvar o gol certo. Por incrível que pareça, naquele dia, Nildo teve que ouvir uma sonora vaia de sua própria torcida, que já se preparava para comemorar o gol histórico. E ainda levou uma tremenda bronca do presidente do Bahia nos vestiários...
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Em 1995 — portanto, 26 anos depois do Gol 1 000 de Pelé —, o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem de Valmir Storti que garantia: o milésimo gol do Rei teria sido mesmo aquele marcado na Paraíba, e não no Maracanã. Isso porque haviam contabilizado um gol a menos para Pelé. No dia 18 de novembro de 1959, em General Severiano, campo do Botafogo, Pelé, que na época servia o Exército, defendeu a Seleção Brasileira contra a Paraguaia, pelo Campeonato Sul-Americano Militar. Na goleada por 4 a 1, ele marcou o segundo gol, que durante muito tempo permaneceu esquecido, mas que provocou um “efeito dominó” nos outros, transformando o gol 999 (aquele marcado na Paraíba) em 1 000.
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Em março de 1999, foi a vez de a revista Placar devolver a condição de gol 1 000 para aquele marcado de pênalti, no argentino Andrada, do Vasco, no Maracanã. Acontece que, em 25 de maio de 1960, o Santos bateu a Seleção da Polônia por 5 x 2. Naquela noite, Pelé teria marcado dois gols, um deles atribuído por engano: o quinto gol do Santos foi, na verdade, de Coutinho, como mostram claramente as imagens da época, hoje de posse da TV Cultura de São Paulo. Na prática, portanto, o gol 1 000 voltou a ser aquele do Maracanã. “Até que uma próxima dúvida seja levantada”, ressalvava, em seu final, a própria reportagem de Placar.
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