Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - As derrotas traumáticas em
competições importantes como a Olimpíada de Atenas e o Pan do
Rio de Janeiro ainda repercutem na seleção feminina de vôlei do
Brasil, que iniciou o trabalho de preparação para os Jogos de
Pequim consciente das dificuldades emocionais a serem
vencidas.
"Imagina um grupo de 12 mulheres o tempo todo juntas,
quando acontece a tal da TPM (tensão pré-menstrual) é muito
difícil de controlar. Coitado do Zé", disse a ex-capitão
Valeskinha, jogadora mais experiente do grupo, aos 32 anos,
lembrando as dificuldades encontradas pelo técnico José Roberto
Guimarães para lidar com as meninas.
Depois da eliminação na semifinal de Atenas e da derrota em
casa para Cuba na final do Pan, a seleção feminina recomeçou na
terça-feira o trabalho para voltar a uma Olimpíada. Em todas as
entrevistas, as jogadoras eram questionadas sobre essas
derrotas, e passavam uma sensação de ainda não terem se
recuperado totalmente dos baques.
Para ajudar fora de quadra, a seleção passou a ter a partir
desta semana uma psicóloga convivendo diariamente com as
atletas, tanto no centro de treinamento quanto nos amistosos e
torneios preparatórios para Pequim.
A intenção de Zé Roberto é levar Sâmia Hallage também para
Pequim, o que ainda depende de uma negociação com o Comitê
Olímpico Brasileiro. Oficialmente, Sâmia foi apresentada às
jogadoras na terça-feira, mas muitas delas já conheciam a
psicóloga, que trabalha nas divisões de base do vôlei
brasileiro.
"A Sâmia vem somar, ajudar. Não é o fato de resolver todos
os problemas, mas o fato de termos mais uma mulher na comissão
técnica", disse o treinador, após treino da equipe em Saquarema
(RJ). "É importante num grupo feminino ter alguém para ouvir,
orientar. No feminino, nós não temos a possibilidade de estar
junto com as meninas o tempo todo."
A própria presença de Valeskinha, que passou a jogar como
ponta e não mais no meio-de-rede, pode ser um ponto positivo
para o astral das jogadoras. A ex-capitã ficou fora do Pan por
decisão do treinador, mas ganhou uma nova chance na seleção
atuando numa posição diferente.
"Volto muito mais disposta", disse Valeskinha. "Eu
acompanhava o que estava acontecendo na seleção, e tentava
passar força. Um momento que a gente não esteja bem não
significa que não somos uma equipe forte."