Por Levi Guimarães Luiz - Yahoo! Esportes
Um dos principais nomes do atletismo brasileiro na atualidade, Fabiana Murer é apontada como favorita à medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio. Mais que isso: de tiete da número um da modalidade, a russa Yelena Isinbayeva, Fabiana passou a ser sua amiga pessoal. A saltadora, no entanto, mantém uma postura humilde e faz questão de destacar a alta competitividade que existe no salto com vara.
>> Perfil da atleta
Recordista brasileira e sul-americana com a marca de 4,66 m no salto com vara, Fabiana está hoje entre as quatro melhores atletas no ranking mundial, atrás apenas da russa Yelena Isinbayeva, da polonesa Monika Pyrek e de outra russa: Svetlana Feofanova.
A brasileira atualmente está se recuperando de uma lesão nas costas, sofrida durante os treinamentos. Contudo, isso não deve afetar seu bom desempenho no Pan. Ela voltará às pistas para duas competições preparatórias já nas próximas semanas e deve chegar à competição mais aguardada do ano em ótima condição.
Nesta entrevista exclusiva ao Yahoo! Esportes, a atleta falou sobre a preparação para o Pan, expectativas com relação à organização do evento, sobre a amizade com a número 1 do mundo, Yelena Isinbayeva, e sua evolução técnica depois dos treinamentos com a russa e o técnico ucraniano Vitaly Petrov.
Y! Esportes: Sua preparação para o Pan foi alterada pela contusão. Qual é o planejamento até o início dos Jogos?
Fabiana Murer: A previsão inicial era de começar a competir ainda em maio, mas como me machuquei, só vou retomar a preparação em junho. O objetivo é participar de pelo menos duas competições para começar a ganhar ritmo para chegar bem no Pan. Mas mesmo antes dessas últimas competições preparatórias, já dá pra sentir um friozinho na barriga.
Y! Esportes: Quais serão essas competições preparatórias?
Fabiana Murer: O Grand Prix Sul-Americano, na Bolívia, dias 8, 9 e 10 de junho, e a Golden League, em Oslo, na Noruega, que começa dia 15 de junho.
Y! Esportes: Como o técnico ucraniano Vitaly Petrov entrou na sua vida?
Fabiana Murer: O Elson Miranda, meu técnico no Brasil, sempre pesquisou os melhores lugares para aperfeiçoar meus treinamentos, mas não estava satisfeito com o que já havia encontrado. Em 2001 ele descobriu onde o Vitaly estava e fez o convite para ele vir fazer uma clínica no Brasil, com vários atletas. Foi aí que começou esse intercâmbio.
Y! Esportes: E qual foi a influência desse intercâmbio na sua evolução técnica nos últimos anos?
Fabiana Murer: O Vitaly estava meio descontente na Itália. Ele treinava apenas um atleta e não estava conseguindo bons resultados. Então ele aceitou supervisionar os nossos treinamentos e, logo de cara, mudou tudo. Desde a forma como eu segurava a vara, até o jeito certo de correr, de saltar. Foi um período complicado de adaptação, que demorou cerca de um ano e meio. Mas depois desse tempo começou a dar muito resultado.
Y! Esportes: Depois disso ele também passou a treinar a russa Yelena Isinbayeva, recordista mundial da modalidade. Como isso aproximou vocês duas? Hoje vocês são amigas?
Fabiana Murer: Sim. Encontrei a Yelena pela primeira vez no Mundial de 2005, mas foi uma coisa bem de fã, até pedi para tirar foto com ela. Só em junho do ano passado é que tivemos uma aproximação maior, quando treinamos por um mês no mesmo local na Itália. Foi uma experiência muito boa, porque aí eu vi que aquela super atleta é uma pessoa totalmente normal, com medos, ansiedades, inseguranças... E viramos amigas mesmo. Ela até me ligou no meu aniversário esse ano.
Y! Esportes: E esses treinamentos conjuntos continuaram?
Fabiana Murer: O Petrov fechou um grupo para treinar na Itália novamente, no começo de 2007. Além de nós duas, tinha outro brasileiro, o Fábio Gomes, e um argentino, o Germán Chiaraviglio. Ficamos um mês fazendo uma preparação forte para a temporada 2007.
Y! Esportes: Como é a comunicação entre você e a russa?
Fabiana Murer: Na maior parte do tempo conversamos em inglês e principalmente por e-mail. Mas também arriscamos um pouco de italiano e às vezes até algumas palavras em português ou russo. Tem até algumas palavras que são parecidas, então dá para entender um pouco.
Y! Esportes: Sem a Yelena competindo, você é apontada como favorita no Pan. Esse favoritismo existe mesmo? Quais devem ser suas principais adversárias?
Fabiana Murer: Eu procuro não falar de favoritismo, porque nenhuma competição grande é fácil de se ganhar. Mas me sinto confiante e muito bem preparada, então as chances de vitória são boas. As principais adversárias devem ser as americanas, especialmente a Jennifer Stuczynski, que já chegou a saltar 4,80 m. Mas a vinda dela ainda não é certa.
Y! Esportes: Qual é a sua expectativa para o Pan com relação à organização?
Fabiana Murer: A gente fica um pouco preocupado de ver que ainda tem muitas obras atrasadas, mas agora parece que está tudo caminhando bem. Acredito que tudo vai ficar pronto a tempo. O Brasil tem condições de fazer eventos grandes sim, então acho que no fim vai ser tudo bem organizado.
Y! Esportes: E a expectativa com relação ao público, já que vai estar competindo em casa?
Fabiana Murer: Acho que vai ser ótimo para incentivar muitas crianças a conhecerem esportes novos, para o povo conhecer modalidades que normalmente não tem muita atenção. Os meus pais mesmo já estão planejando ir para o Rio e assistir muitas outras competições além da minha. Falta oportunidade para os brasileiros acompanharem uma competição desse tipo. Não é fácil criar uma estrutura para receber as Olimpíadas, por exemplo, mas o Pan deve dar uma boa experiência.
Y! Esportes: Entre os atletas brasileiros, quais são os mais próximos de você, aqueles que você vai fazer questão de assistir e torcer durante o Pan?
Fabiana Murer: Os mais próximos são os que treinam comigo no Ibirapuera, principalmente da minha equipe, a BM&F. Tenho uma relação muito boa com os outros saltadores, como a Maurren Maggi, que é um exemplo pra mim, e a Keyla Costa, que acabou de conseguir um grande resultado no Troféu Brasil.