Por François Murphy
PARIS (Reuters) - O presidente da França, Nicolas Sarkozy,
enviou na quinta-feira à China uma lista de dissidentes presos,
um dia antes de assistir à cerimônia de abertura da Olimpíada
de Pequim, a despeito das críticas de ativistas de direitos
humanos.
Sarkozy comparecerá à cerimônia representando os 27 países
da União Européia, já que ele preside o bloco neste semestre.
Políticos de oposição e ativistas acusam-no de ignorar
violações de direitos humanos na China em nome de interesses
políticos e econômicos.
"O presidente, em nome da União Européia, acaba de entregar
às autoridades chinesas uma lista de casos de prisioneiros
individuais e defensores dos direitos humanos", disse a
jornalistas Romain Nadal, porta-voz da chancelaria.
Neste ano, depois da onda de repressão política no Tibete,
Sarkozy havia dito que sua presença na cerimônia dependeria dos
progressos nas negociações entre Pequim e o líder espiritual
budista Dalai Lama. Em julho, ele anunciou que iria.
"Ele acha que tem uma varinha de condão e que de repente os
chineses vão sorrir condescendentemente e dizer: 'Sim, sr.
presidente', e as coisas vão avançar. Não acho que seja assim",
disse o europarlamentar alemão Daniel Cohn-Bendit, do Partido
Verde, ao site rue89.fr.
Cohn-Bendit, muito influente na França por ter sido líder
do movimento estudantil de maio de 1968, em julho criticou
Sarkozy no Parlamento Europeu por ir à cerimônia de abertura
dos Jogos, e na ocasião entregou a ele uma lista de dissidentes
presos, cujos nomes deveriam ser acrescidos a uma outra lista
da UE.
"A lista entregue às autoridades chinesas inclui todos os
casos que o sr. Daniel Cohn-Bendit e várias organizações de
direitos humanos desejavam ver destacados", disse Nadal.
O presidente dos EUA, George W. Bush, também criticado por
ir à cerimônia, fez na quinta-feira um discurso manifestando
sua "firme oposição" à prisão de dissidentes, militantes de
direitos humanos e ativistas religiosos.
O gabinete presidencial francês disse na quarta-feira que
Sarkozy não terá audiência com o Dalai Lama durante a visita
deste à França neste mês.
A primeira-dama Carla Bruni-Sarkozy deve encontrá-lo na
inauguração de um templo budista.
A decisão provocou novas criticas a Sarkozy, que havia
prometido fazer dos direitos humanos um dos pilares da sua
política externa.