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Em Pequim, muitos não comemoram a Olimpíada: perderam suas casas
(Qua, 06 Ago, 11h28)
Reuters
 

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Nem todos os pequineses vão comemorar o início da Olimpíada na sexta-feira, apesar da imensa onda de fervor patriótico que se mostra a cada esquina de Pequim e em todo o país.

Despejos forçados para abrir caminho para vários dos espetaculares projetos estão levando alguns a uma vida miserável e "bloqueando" seu espírito olímpico.

"Minha situação não é boa", disse um homem, cuja casa foi demolida diante de seus olhos no ano passado, para dar espaço a um estacionamento ao sul do Estádio Ninho de Pássaro.

"Não estou muito contente com a Olimpíada", acrescentou, pedindo para não ser identificado. "Não era para ser 'Os Jogos do Povo'?"

Grupos de defesa dos direitos humanos têm repetidamente mostrado preocupação com os despejos e dizem que Pequim não está cumprindo as promessas de que a Olimpíada incentivaria o país a melhorar sua base de respeito aos direitos dos cidadãos. O Centro dos Direitos de Moradia, com base em Genebra, estima que 1,5 milhão de pessoas foram removidas para abrir caminho para os projetos olímpicos e a massiva maquiagem pela qual Pequim passou para os Jogos. Isso teve um preço, afirmou.

"A Olimpíada tem sido usada como justificativa para acelerar violações ao direito de moradia e enfraquecer a capacidade das pessoas de lutar por seus direitos em geral", observou Deanna Fowler, pesquisadora do Centro, à Reuters.

"As pessoas que enfrentaram a situação e pediram uma compensação maior pelo despejo tiveram de encarar embaraços e ameaças."

O governo e os organizadores dos Jogos enfaticamente desmentem as acusações.

"A verdade é que apenas 6.000 famílias estiveram envolvidas no programa olímpico de realocação", disse recentemente Sun Weide, o porta-voz dos organizadores da Olimpíada.

"É muito importante melhorar o nível de vida das pessoas. Como resultado dos programas de realocação, a área de moradia para moradores de Pequim aumentou de 20 metros quadrados no século passado para 60, neste momento."

Os grupos pelos direitos dos cidadãos, no entanto, dizem que o governo está tentando negar que existe um problema.

"Existe evidência suficiente para se ver que muitas pessoas foram forçadas a sair de suas casas sem compensação adequada", disse Mark Allison, um pesquisador da China da Anistia Internacional em Hong Kong.

 
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