Por Marcelo Teixeira
PEQUIM (Reuters) - Os atletas brasileiros nos Jogos
Olímpicos estão experimentando um pouquinho do que é o grande
bazar pequinês nas poucas folgas que conseguem dos treinos
nesses dias que antecedem o início das competições.
As "listinhas" de compra trazidas do Brasil incluem
principalmente eletrônicos, mas também artesanato local, seda e
muitos artigos oficiais dos Jogos, vendidos, por exemplo, em
uma grande loja na Vila Olímpica.
A maneira como os chineses barganham chamou a atenção de
alguns competidores em lugares como o Mercado da Seda, que
apesar do nome está mais para uma Rua 25 de Março, o centro
paulistano de comércio popular, onde se pode encontrar
praticamente de tudo.
O time inteiro do basquete feminino passeou por lá na folga
que se seguiu ao jogo-treino contra a Espanha, na
segunda-feira.
"É uma loucura como eles negociam. Te agarram pelo braço,
não te deixam ir embora, perguntam quanto você quer pagar",
disse a ala Fernanda Neves, que comprou câmaras digitais de
encomenda do Brasil, um celular para ela e algumas roupas. "É
tudo falso, mas é bem feitinho".
Mas o ambiente do local não agrada a todos. "Aquela
negociação maluca é um pouco estressante. Não aguentei ficar lá
muito tempo não", contou a catarinense Fabiana Beltrame, que
vai disputar a competição do skiff aberto no remo.
Ela levou filmadoras, artesanato chinês e roupas. "Teve uma
hora em que uma mulher me segurou e não queria deixar eu ir
embora de jeito nenhum".
Juliana Veloso, dos saltos ornamentais, veio com um pedido
do pai, uma jaqueta de couro. "Ele levou um tombo há pouco
tempo e arrebentou a que tinha".
Para ela, o alvo é uma peça de seda, para confeccionar um
vestido no Brasil. "Mas não sou muito de compras não. Sou meio
igual homem nesse ponto, quando preciso de algo vou lá, pego e
compro".
A nadadora Fabíola Molina, que vai disputar os 100 metros
nado costa, além dos revezamentos, encontrou algo bastante
comum por aqui, mas que para ela tem um sentido peculiar: uma
caneca com a data de 8 de agosto, o dia de abertura dos Jogos.
"Eu faço coleção de canecas e além disso meu marido Diogo e
a minha mãe fazem aniversário no dia 8 de agosto, então foi
especial", disse ela, estreando um par de óculos escuros
novinhos comprados no dia. "Eu adoro óculos".
Mas nem todos se permitem relaxar, mesmo que seja por
algumas horas, especialmente quando se está sob o comando de
treinadores exigentes ao extremo, como o técnico do vôlei
Bernardinho.
"Não estou pensando nisso (compras)", disse o meio-de-rede
André Heller, do vôlei. "A gente veio pra cá com um propósito e
é só isso que temos na cabeça. Talvez quando estiver indo
embora eu veja alguma coisa".