Yahoo! Esportes - Futebol

Yahoo! Esportes - Mortes súbitas de jogadores abalam o mundo do futebol
Mortes súbitas de jogadores abalam o mundo do futebol
Ter, 04 Set, 03h16 - Yahoo! Notícias

Por Agência EFE


O Chefe Médico da Fifa, Jiri Dvorak, explicou durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, que um rigoroso exame preventivo pode reduzir o risco de morte súbita por problemas cardíacos.

Os falecimentos em 2003 e 2004, incluindo os dos brasileiros Max e Serginho, tornaram estes anos particularmente negros no futebol mundial.


Os jogadores de futebol são atletas e têm boa forma física, mas também são suscetíveis a problemas no organismo. A morte do lateral-esquerdo espanhol Antonio Puerta, que defendia o Sevilla e tinha apenas 22 anos, foi o último caso. Desde seu falecimento, no dia 28, após uma série de paradas cardíacas, atletas, médicos, dirigentes e torcedores voltaram a se preocupar. Para tentar combater este mal, o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, anunciou há mais de dois anos a criação de um centro de pesquisa médica para estudar o problema.

Enquanto os falecimentos por males cardíacos costumam ter como origem infartos de miocárdio a partir dos 40 anos, antes dos 30 há três tipos de doenças do coração que causam a morte súbita: as congênitas, a miocardiopatia hipertrófica e a displasia arritmogênica do ventrículo direito.

O lateral-esquerdo Antonio Puerta, do Sevilla espanhol, desmaiou durante a vitória de 4 a 1 de sua equipe sobre o Getafe, em casa, pela primeira rodada do Espanhol, em 25 de agosto. Ele chegou a levantar e deixar o campo andando, mas sofreu mais paradas cardíacas ainda nos vestiários. Ele morreria três dias depois, após uma série de sucessivas paradas cardiorrespiratórias, num hospital da capital da Andaluzia.

Apesar de ter apenas 22 anos, Puerta era um jogador de bom nível há muito tempo. Só para se ter uma idéia, ele conquistou dois títulos em 2006, pelo próprio Sevilla: a Copa da Uefa e a Supercopa da Europa. Este ano, voltou a levar a Copa da Uefa, faturando ainda a Copa do Rei e a Supercopa da Espanha.
O boletim de falecimento explicou que a parada cardíaca sofrida por Puerta no campo do Sevilla foi "conseqüência de uma arritmia ventricular, causada por uma displasia arritmogênica do ventrículo direito".

Neste mesmo ano, o jogador paraguaio Sixto Rojas, de 26 anos, faleceu em 10 de janeiro num hospital de Assunção, após sofrer uma parada cardíaca durante um treino do clube Atlético Trinidense, à época na primeira divisão.

Um dia depois da morte de Puerta, o jogador de Gâmbia Chaswe Nsofwa, da equipe israelense Hapoel Beersheva, faleceu durante um treino do time, que disputa a segunda divisão do país. Em 2006 houve a morte do lateral-esquerdo da seleção egípcia Mohamed Abdelwahab, durante um treino de seu clube, o Al-Ahly. O caso de 2005 foi do meio-campo português Hugo Cunha, do União de Leiria, da primeira divisão portuguesa, que perdeu a vida em casa, após passar mal enquanto jogava uma pelada com amigos.

Anos negros

As mortes nos anos de 2003 e 2004 tornaram estes anos particularmente ruins para o futebol mundial. No Brasil, o caso que mais repercutiu foi o do zagueiro Serginho, do São Caetano, que no dia 27 de outubro de 2004 morreu durante uma partida contra o São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro, após sofrer uma parada cardiorrespiratória.

Outro episódio marcante foi o protagonizado pelo meia camaronês Marc-Vivien Foé, que perdeu a vida no dia 26 de junho de 2003 durante um jogo entre a seleção de seu país e a Colômbia, pelas semifinais da Copa das Confederações, na cidade francesa de Lyon. Ele caiu em campo aos 27 minutos do segundo tempo.

Um mês depois, o zagueiro Max, de 21 anos, morreu após sofrer um aneurisma cerebral durante a disputa de um coletivo do Botafogo de Ribeirão Preto. Em outubro, perdeu a vida o goleiro Manuel Mondaca Silva, da seleção sub-17 chilena, enquanto treinava em Santiago.

Também merece menção a morte do húngaro Miklos Fehér, em 25 de janeiro de 2004, por causa de um tromboembolia pulmonar, durante um jogo entre o Benfica, time que defendia, e o Vitória de Guimarães.

Em março, Andrei Pavistski, de 17 anos, morreu durante um treino de sua equipe, o Arsenal Kiev, da primeira divisão ucraniana.

De 1990 até 2003, pelo menos outros 14 jogadores morreram praticando esportes. No dia 5 de abril de 1990, o lateral-esquerdo brasileiro João Pedro, do Sport Recife, morreu em decorrência de um ataque do coração em jogo do Campeonato Pernambucano contra o Estudantes.

Já em 28 de outubro de 2002, o também brasileiro Márcio dos Santos, do Deportivo Wanka (time da primeira divisão do Campeonato Peruano), sofreu um infarto horas após participar da vitória de 3 a 1 de sua equipe sobre o Allianza. Outro caso foi o do goleiro argentino Vicente Vásquez, de 23 anos, do time local de Garuhapé, que morreu de ataque do coração após defender um pênalti com o peito.

Prevenção

Com estes precedentes, o suíço Joseph Blatter, presidente da Fifa, anunciou em fevereiro de 2005 a criação de um centro de pesquisa médica para investigar as mortes súbitas de jogadores em todo o mundo.
Blatter fez o anúncio apenas dois dias depois de o goleiro esloveno Nedzad Botonjic, de 28 anos, morrer durante um treino, e falou sobre a importância dos testes cardiovasculares.

"Quando falamos em problemas cardíacos, não podemos contar apenas com eletrocardiogramas, já que só servem como indicadores de que os músculos estão trabalhando bem", disse Blatter.

Durante o primeiro Congresso Médico da Fifa, realizado no final de 2004 na cidade mexicana de Cancún, o presidente do organismo que rege o futebol mundial anunciou que seriam feitas novas recomendações a clubes e organismos para reduzir a morte súbita.

Michel Hooghe, presidente da comissão médica da Fifa, incentivou à época seu planejamento para estimular a revisão periódica dos atletas - que antes jogavam cerca de 30 partidas por ano, mas agora alguns chegam até a 80.

Por sua vez, Jiri Dvorak, Chefe Médico da Fifa, explicou durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, que um rigoroso exame preventivo pode reduzir o risco de morte súbita por problemas cardíacos.

Patologias em Jovens

"Em termos gerais, a displasia arritmogênica do ventrículo direito, que causou a morte do jogador espanhol Antonio Puerta, é a causa mais freqüente de morte súbita nas pessoas com menos de 30 anos", disse à EFE Manuel Abeytua, chefe da Unidade de Reabilitação Cardíaca e Prevenção Secundária do hospital Gregorio Marañón de Madri.

Enquanto os falecimentos por males cardíacos costumam ter como origem infartos de miocárdio a partir dos 40 anos, antes dos 30 há três tipos de doenças do coração que causam a morte súbita: as congênitas, a miocardiopatia hipertrófica e a displasia arritmogênica do ventrículo direito.

Já Enrique Silva, ex-chefe de Cardiologia do Hospital Central de la Defensa, também na capital espanhola, explicou que a morte súbita pode aparecer a qualquer momento, mas as situações de estresse, de eliminação de adrenalina e de exercício físico intenso igualmente podem ser causas da arritmia letal.

A definição clássica de morte súbita, segundo Selva, é aquela que ocorre no prazo de uma hora e na qual a vítima está estável, sem sinais de que vá sofrer o ataque.

Selva explicou que a displasia arritmogênica do ventrículo direito é uma miocardiopatia, uma lesão dos músculos do coração em que se altera a estrutura do órgão.

Esta doença, que tem origem genética - embora o gene seja recessivo -, produz a substituição das fibras musculares por gordura e tecido fibrótico e adiposo, causando uma alteração elétrica do coração.

A patologia altera a corrente sanguínea e as batidas do coração, assim como uma série de constantes vitais que favorecem o desenvolvimento de arritmias ventriculares "potencialmente mortais".

O estímulo elétrico do coração "dá voltas" num circuito de alta velocidade, o que resulta numa taquicardia dos ventrículos (freqüência cardíaca muito alta) e pode gerar uma parada cardíaca.

A doença pode não estar numa fase muito avançada em casos de morte súbita.

Especialistas afirmam que é difícil diagnosticar esta doença em suas primeiras fases, mas o paciente pode levar uma vida normal com o tratamento adequado.

Por Manuel Carretero

Veja também:


  • Família doará os órgãos de Antonio Puerta
  • Jogador espanhol de 22 anos morre 3 dias após desmaiar em campo
  • Jogador equatoriano morre após partida
  • Jogador de futebol zambiano morre durante treino em Israel
  • Cardiologistas comentam sobre morte súbita no esporte

  • Copyright © 2007 Yahoo! do Brasil Internet Ltda. Todos os direitos reservados.
    Política de Privacidade | Termos de Serviço | Sobre o Yahoo! | Ajuda