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Invictos
Ter, 25 Mar, 05h00
Por Mauro Beting
Mauro Beting

O Goiás perdeu a invencibilidade na temporada. O Tupi caiu para o centenário Galo. O Grêmio segue bonito e respira na liderança com um elenco melhor que a encomenda. O Criciúma também não sabe o que é perder em Santa Catarina. São os que sobram na gangorra brasileira.

Até quando? Não sei. O Atlético Paranaense superou o Furacão de 1949 e logo depois foi eliminado pelo Corinthians (de Alagoas...) e está em situação delicada no estadual, apesar da boa vitória em Iraty. O São Paulo tinha time e tinha tudo para fazer um 2008 ainda melhor que 2007, mas parece ter perdido o foco e o fogo, mesmo com enormes chances de se classificar para as semifinais paulistas (ao lado de Palmeiras, Guaratinguetá e.... e.... Corinthians. Ou seria a Ponte Preta?)

Não sei. O Atlético Mineiro estava querendo se complicar no ano do centenário e acertou um belo jogo e uma grande vitória. O problema alvinegro é que o Cruzeiro continua sobrando, depois da boa vitória em Governador Valadares.

No Sul, nenhuma novida. O Inter vence com o bom crédito que tem no banco, e o Grêmio segue invicto com um time que vai se acertando.

No Rio, com o Flamengo desinteressado, e o Vasco com poucas opções, só podem sobrar na turma Fluminense e Botafogo. Favoritos a fazer uma belíssima final de Taça Rio.

CEM ANOS - O melhor lance do Atlético não foi num jogo.

Foi fora dele. Foi numa derrota.

Minto, num empate de um time invicto, o supervice-campeão do BR-77.

Não foi o melhor jogo ou jogada.

Mas não teve nada mais atleticano que aquilo: depois da derrota nos pênaltis para o São Paulo, Mineirão e Brasileirão estupefatos pela queda sem derrota de um senhor time de bola, os jogadores baqueados e barreados pela chuva e pela lama se abraçaram no gramado e assim foram ao vestiário.

Foi a primeira vez que vi a cena reverente que virou referência.

Ninguém estava fazendo marketing (nem existia a tal palavra).

Nenhum jogador estava jogando pra galera.

Era fato.

Time e torcida estavam juntos naquele abraço doído e doido.

Como tantas vezes o atleticano esteve junto com o time. Qualquer time.

Nada é mais atleticano que aquilo: um time que se comportou como o torcedor.

Solidário na dor, irmão no gol.

O atleticano é assim: tem a coragem do galo, mas não a crista.

Luta e vibra com raça e amor. Mas não se acha o dono do terreiro.

Sabe que precisa brigar contra quase tudo e contra quase todos. Até contra o vento, na célebre imagem de Roberto Drummond.

Aquela que fala da camisa preta e branca pendurada num varal durante uma tempestade. Para o escritor atleticano, ou, melhor, para o atleticano escritor, o torcedor do Atlético sopraria e torceria contra o vento durante a tormenta.

Não é metáfora. É meta de quem muitas vezes fica de fora da festa. Não porque quer. Mas porque não querem.

Posso falar como jornalista há 17 anos e torcedor não-atleticano há 41: não há grande equipe no país mais prejudicada pela arbitragem.

Os exemplos são tantos e estão guardados nos olhos e no fígado.

Não por acaso, o atleticano acaba perdendo alguns jogos e títulos ganhos porque acumulou nas veias as picadas do apito armado.

Algumas vezes, é fato, faltou time. Ou só sobrou raça. Mas não faltou aquilo que sobra no Mineirão, no Independência, onde o Galo for jogar: torcida.

Pode não ser a maior, pode não ser a melhor, pode até se perder e fazer perder por tamanha paixão, cobrando gols do camisa 9 como se todos fossem Reinaldo, pedindo técnica e armação no meio-campo como se todos fossem Cerezo, exigindo segurança e elegância da zaga como se todos fossem Luisinho.

Mas não se pode cobrar ninguém por amar incondicionalmente.

O atleticano não exige bola de todo o time. Não cobra inspiração de cada jogador. Quer apenas ver um atleticano transpirando em cada camisa, em cada posição, em cada jogada.

Por isso pede para que o time lute.

É o mínimo para quem dá o máximo na arquibancada.

A maior vitória atleticana é essa. Mais que o primeiro Brasileirão, em 1971, mais que o vice mais campeão da história do Brasil, em 1977.

Os tantos títulos e troféus contam. Mas tamanha paixão, essa não se mede. Essa é desmedida. Essa é a essência atleticana.

Essa é centenária.

Essa é eterna.


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