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Yahoo! Esportes - Zico e Felipão exploram a última fronteira
Zico e Felipão exploram a última fronteira
Qua, 26 Mar, 01h45
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

Além da oportunidade de acompanhar o talento vistoso de Alex, a classificação do Fenerbahçe para as quartas-de-final da Liga dos Campeões oferece ao futebol brasileiro a possibilidade de explorar um pouco mais a sua última fronteira, a do mercado de trabalho para treinadores.

O êxito de Zico, aliado ao de Felipão em Portugal, tende a contrabalançar o efeito negativo da rápida passagem de Vanderlei Luxemburgo pelo Real Madrid. No médio prazo, pode contribuir para convencer times de ponta a apostar em técnicos brasileiros com a mesma confiança que depositam em nossos jogadores.

Competência não é problema – ou alguém acha que Claudio Ranieri, Louis van Gaal e Héctor Cúper sejam mais qualificados do que Leão, Muricy, Abel Braga e o próprio Luxemburgo? O problema é de ordem cultural e talvez ainda demore a ser superado, se é que algum dia o será.

Para as gerações que já se acostumaram com o atual cenário, convém lembrar que, até a década de 60, poucos brasileiros faziam carreira em times de ponta da Europa. Craques como Evaristo, na Espanha, e Julinho Botelho, na Itália, foram alguns dos precursores de um movimento que se intensificou ligeiramente na década de 70, graças sobretudo a meio-campistas e a atacantes, como Dirceu, Paulo César Caju, Jairzinho e Leivinha.

Na mesma época, zagueiros como Luís Pereira, Abel Braga e Marinho Peres começaram a furar o primeiro bloqueio, reduzindo aos poucos a desconfiança européia em relação a defensores de um país notável pela qualidade de seus atacantes. Graças a eles, a geração de Mozer, Aldair, Ricardo Gomes e Ricardo Rocha ampliou o mercado hoje ocupado por Lúcio, Juan, Alex, Luizão, Naldo e Bordón, entre tantos outros.

Meio-campistas e atacantes, por sua vez, expandiram muito seu espaço e se tornaram, em suas melhores fases, as principais estrelas dos países onde jogavam ou jogam, como Sonny Anderson e Juninho Pernambucano, na França; Romário, Rivaldo e os Ronaldos, na Espanha; e Kaká, na Itália.

Por fim, o que parecia impossível: o Brasil passou a exportar goleiros. Taffarel, com o prestígio de três Copas do Mundo, abriu a trilha que seria percorrida por Dida, Gomes, Julio César, Hélton, Doni, Rubinho e Diego, e que só não foi também de Rogério Ceni e de Marcos porque ambos não fizeram muita questão.

Resta, portanto, a última fronteira, a dos “professores”. As experiências como treinadores de Ricardo Gomes (hoje no Mônaco), Abel Braga e Marinho Peres talvez se devam mais ao prestígio adquirido dentro de campo do que à carreira no banco. Zico, de certa forma, também se beneficia disso. Antes de Luxemburgo e Felipão, apenas Sebastião Lazaroni (hoje no Marítimo, de Portugal) foi contratado nas últimas décadas por clubes europeus de ponta em virtude exclusivamente de sua trajetória como treinador.

Não deixa de ser curioso imaginar que um dia, além de se preocupar com a iminente saída de seus craques para a Europa, as torcidas de nossos principais clubes temam perder também perder seus treinadores.

Os próximos capítulos dessa história têm a ver com o que Zico e seus atletas conseguirão fazer na Liga dos Campeões. Para chegar à semifinal, eles enfrentam uma pedreira, o milionário Chelsea do russo Roman Abramovich, primeiro em Istambul, no próximo dia 2, e depois em Londres, em 8 de abril.


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