Pelo segundo ano consecutivo, as semifinais da Liga dos Campeões terão três clubes ingleses. Os mesmos do ano passado, por sinal: Manchester United, Liverpool e Chelsea. Desta vez, o intruso (Barcelona) não parece capaz de furar o bloqueio, como fez o Milan na última final – embora o clube catalão, campeão europeu em 2006, tenha elenco para superar a atual fase opaca e voltar de Moscou com a taça.
O retrospecto dos semifinalistas, no entanto, sugere que o título deverá seguir mesmo para a Inglaterra. Desde que a Liga dos Campeões substituiu a Copa dos Campeões da Europa, na temporada 1992/1993, seria apenas o terceiro título inglês – o Manchester bateu o Bayern de Munique em 1999 e o Liverpool derrotou o Milan em 2005.
Com a semifinal entre Chelsea e Liverpool, já está garantida pela quarta vez consecutiva a presença de um clube inglês na final – o Arsenal perdeu para o Barcelona, em 2006, e o Liverpool para o Milan, em 2007. Antes desse período recente, no entanto, apenas o Manchester de 1999 chegou tão longe entre os clubes ingleses.
Ou seja: em 15 competições, a Inglaterra teve dois campeões e dois vices. Nesse mesmo período, a Itália fez quatro campeões e seis vices; a Espanha, quatro campeões e três vices. A Alemanha tem desempenho idêntico ao dos ingleses, enquanto a França e a Holanda, com um título e um vice cada, não ficam muito longe. O grupo restrito de países finalistas se encerra com Portugal (um título).
O tardio predomínio inglês revela o traçado da bem-sucedida recuperação do futebol local a partir da criação da Premier League, a milionária primeira divisão do país, coincidentemente na temporada 1992/1993.
O primeiro momento foi de fortalecimento interno, com a consolidação de um novo estilo de gestão para os clubes e a reforma dos estádios, entre outros aspectos.
No segundo momento, o aumento na contratação de estrangeiros – tanto jogadores quanto profissionais de comissões técnicas – contribuiu para arejar o jogo, misturando elementos característicos do futebol inglês com ingredientes táticos e técnicos de outras paragens.
Por fim, começou o período de expansão continental, movido também pela força da libra contra o euro e por investimentos pesados nos principais clubes do país.
Se Itália, Espanha e Alemanha não se mexerem, é provável que os ingleses continuem a aparecer em bando nas semifinais da Liga dos Campeões nos próximos anos.