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Yahoo! Esportes - Futebol e memória afetiva
Futebol e memória afetiva
Qui, 10 Abr, 06h45
Por Celso Unzelte
Celso Unzelte

Uma das coisas mais bacanas do futebol são as memórias que ele traz. Como qualquer outra área de interesse tida como mais “culta”, o jogo tem esse poder. Esta semana de abril, por exemplo, me traz essas duas recordações futebolísticas que descrevo aqui..

Foi em um dia 10 de abril, em 1984, que comecei a trabalhar, como office-boy, em uma metalúrgica do bairro paulistano do Ipiranga, chamada Esmaltarte. No final daquele mesmo ano, tive o privilégio de datilografar a nota fiscal da taça do Campeonato Paulista, comprada pela Federação Paulista de Futebol naquela empresa. “Pode levar pro Parque São Jorge”, disse eu todo pimpão, ao retirar a nota da máquina de escrever e entregá-la ao seu Ivanildo, são-paulino encarregado da entrega. “Essa vocês não vão ver nunca”, disse-me ele, que, como bom são-paulino, torceu naquele último jogo para o Santos. Seu Ivanildo tinha razão: naquele ano deu Peixe na cabeça, graças ao gol da vitória marcado por Serginho Chulapa, evitando assim o tri corintiano.

Antes disso, porém, gastei com prazer 2.000 (ou dois “barões”, como se dizia na época em que o rosto do Barão de Rio Branco estava estampado na nota de 1.000) do meu primeiro salário, que era de falecidos 95.100 cruzeiros antigos. Eles foram parar nas mãos dos cambistas, em troca de dois ingressos de geral para mim e meu pai assistirmos a uma maravilhosa goleada de 4 a 1 do Corinthians sobre o Flamengo, no jogo de volta das quartas-de-final do Brasileiro daquele ano.

No dia seguinte, todo contente, fui trabalhar com a camisa dois do Corinthians, aquela listrada. O que me valeu uma bronca do severo seu Mílton, chefe da contabilidade. “Aqui não pode trabalhar com camisa de time de futebol”, disse-me ele. “Principalmente com essa”, completou. Ali descobri que seu Milton era palmeirense.

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Foi em um dia 13 de abril de 1996, sábado, que me casei com Patrícia. E foi também naquele dia que jogaram Mogi Mirim e Palmeiras, em Mogi. Enquanto eu estava no altar, ouvindo e respondendo durante o tradicional sermão do padre, não faltaram dedinhos dos meus amigos palmeirenses mostrando o andamento do placar: Mogi 1 a 0, 1 a 1 e, finalmente, Palmeiras 2 a 1.

Meu pai nega até hoje. Porém, diz a lenda que naquele dia ele carregou para o altar seu radinho de pilha, disfarçadamente, no bolso do paletó, só para secar melhor o rival. Como, aliás, ele faz na maioria dos velórios de nossos familiares desde que eu me conheço por gente...


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