A guerra vai começar daqui a pouco. Já no primeiro jogo das finais do Campeonato Carioca, nós assistiremos uma verdadeira guerra de nervos. Isto será provocado pela imprensa o tempo todo, até alguns dias após as partidas. Ainda mais, com o manancial de episódios da decisão do ano passado e da final da Taça Guanabara.
Antigamente, jogadores, técnicos e dirigentes passavam a semana anterior aos jogos provocando adversários. Atletas gastavam os “bichos” antecipadamente. E o torcedor era envolvido neste clima, indo ao estádio para ver se o que foi dito aconteceria. Hoje não é bem assim. Não sei se por causa dos estresses da atual vida cotidiana. Não sei se por desrespeito ao próximo. Sei lá. O fato é que as provocações que antes serviam para levar gente aos estádios. Agora leva gente para hospitais, cadeias e até cemitério.
Quando eu digo que a imprensa será responsável pela “guerra”, me refiro às perguntas capciosas que os jogadores têm que se esquivar diariamente e o dia todo. São aquelas questões que se o cara diz que vai...qualquer coisa, na mesma hora o repórter passa o rádio ou liga para o celular do colega de redação que está cobrindo o clube adversário para contar a resposta e o cara vai lá provocar o jogador do outro time.
Isto acontece todo dia. Por isso mesmo, assistimos uma banalização da informação e do que o jogador fala. Não se diz nada com nada. Não se conhece um sentimento verdadeiro por causa do medo de confusão. Os próprios treinadores proíbem qualquer atleta de dizer alguma coisa sobre quem quer que seja da parte do adversário.
Tempos difíceis da cobertura esportiva, que já é uma das coisas mais complicadas. O amigo leitor não sabe como é heróico encher quatro páginas do caderno de esportes de qualquer jornal. Não é mole. Dar um furo então, é coisa impensável. Resta a confusão.