Na semana em que o ex-jogador e comentarista Casagrande voltou a dar uma entrevista, ao jornalista Flávio Prado, para o programa No Mundo da Bola, da Rádio Jovem Pan, saúdo a volta do Casão relatando a boa impressão que tive dele em nosso único contato..
Casão foi meu ídolo da infância para a adolescência, entre os 10 anos, quando eu já acompanhava os gols dele na então Taça São Paulo de Futebol Juvenil, e os meus 18, quando ele trocou o Corinthians pelo Porto, de Portugal. Mas só tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente anos depois, em maio de 2003.
Era uma manhã de treino no Parque São Jorge, ao final do qual dois jogadores foram homenageados: Gil, que dias antes havia marcado o milésimo gol corintiano em Campeonatos Brasileiros, em um empate por 1 a 1, contra o Cruzeiro, no Mineirão; e Carbone, autor do centésimo gol corintiano na histórica campanha do título paulista de 1951, em que o ataque formado por Cláudio, Luizinho, Baltazar ele e Mário alcançou a então incrível marca de 103 gols. A idéia da homenagem foi do dirigente Antônio Roque Citadini, que aliás foi quem nos apresentou.
Quando Citadini disse que eu era “jornalista”, Casagrande pareceu nem prestar muita atenção. Mas quando disse que eu havia escrito o “Almanaque do Timão”, com todos os jogos da história do clube, seus olhos se arregalaram. “É mesmo, cara? Eu estou procurando esse livro como um louco e não acho em lugar nenhum. Como faço para ter um?”
Trocamos os números dos celulares e combinamos de nos encontrar no dia seguinte, pois apesar de estar morando fora de São Paulo Casagrande viria até a cidade para um compromisso que envolvia um de seus filhos. Na saída, comentei que era muito legal saber que o Corinthians estava voltando a prestigiar seus ídolos, ao convidar jogadores importantes como ele para assistir à homenagem ao Gil e ao Carbone. “Mas eles não me convidaram, não”, respondeu o Casão, cheio de sinceridade. “Eu só vim ao Parque São Jorge para me encontrar com o Mauro Naves, da Globo. Nós vamos almoçar juntos...”
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No dia seguinte, um sábado de manhã, meu telefone toca no meio da reunião de pais da escola do meu filho. “É o Casagrande. Estou em São Paulo. Onde você quer que eu vá para pegar o livro?” É claro que não permiti que a montanha fosse a Maomé.
Combinamos de nos encontrar no antigo Shopping Paulista, que me pareceu central para os dois. Quando eu e meu irmão, Paulo Roberto, entrávamos no estacionamento, percebi que o Casão já estava lá, meio escondido atrás de uma pilastra. Enquanto procurava uma vaga, pedi para meu irmão, que além de corintiano é roqueiro, descer antes para ir “fazendo sala” para ele. O papo, claro, começou a rolar solto entre os dois.
Ao chegar com o livro que ele queria em mãos, propus tomarmos um café, que Casagrande logo topou. Sempre solícito, parecia não se incomodar com o assédio das pessoas que a toda hora iam interromper nossa conversa. Nem mesmo com a inconveniência de um senhor que o abordou só para dizer: “Casagrande, você não é mais corintiano, mas eu ainda sou...”
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Durante aquele rápido contato, foi um prazer ver a maneira carinhosa como Casagrande tratou meu trabalho. Menino criado nos arredores da Rua São Jorge, procurava jogos em que havia estado nas arquibancadas e se lembrava dos detalhes. Principalmente os jogos do zagueiro Ditão, amigo de sua família, a quem Casagrande chamava de “Geraldo”.
Casagrande estava no Parque São Jorge, por exemplo, em 27 de junho de 1970, dia em que o goleiro Ado e o craque Rivellino, os dois corintianos tricampeões do Mundo, voltaram da Seleção no empate com a Ponte em 1 a 1. Por isso, até hoje respondo para quem me pergunta: se o Casagrande é corintiano eu não sei, mas de que um dia ele foi eu tenho certeza.
Naquela mesma tarde Casagrande nos contou, a mim e ao meu irmão, que sempre gostou muito de história. Que certa vez participou incógnito de um programa de rádio e ganhou uns discos após acertar várias perguntas sobre Janis Joplin. Que só depois de ter parado de jogar sentiu consciência da importância de sua própria história. E que tinha o sonho de fazer um talk show futebolístico na TV, chamando um grande craque do passado para comentar determinado jogo enquanto as cenas da partida rolavam na tela (citou como exemplo a final do Paulista de 1974, Palmeiras 1 x 0 Corinthians, com Rivellino comentando). Agora, só posso desejar que esse e todos os outros sonhos do Casão se realizem. Com muita saúde.
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Na coluna da semana passada, publiquei uma errata a pedido de José Cássio da Silva, o Cássio, ex-jogador do Corinthians entre 1962 e 1963. Em uma outra oportunidade, ele havia sido citado erroneamente por mim também como ex-jogador do Santos, coisa que de fato nunca foi. Na própria sexta-feira em que meu texto foi postado, recebi o e-mail abaixo.
“Na matéria Gol de Mão, você citou um e-mail que recebeu do Cássio da Silva, ex-jogador do Corinthians. Fiquei surpreso, pois sou ex-jogador do Juventus e por muito tempo perdi o contato com o Cássio. Tenho procurado mas sem sucesso. Joguei com ele de 1959 a 1961. Por favor informe o e-mail dele ou qualquer outra informação que me ajude a encontrá-lo.
Grato,
José Pezzolato (Nenê), ex-goleiro do Juventus, Linense e Bragantino.”
Ainda naquele dia, o próprio Nenê conseguiu o número do meu telefone e ligou para minha casa. Conversamos bastante, e pude compreender que Cássio havia sido um dos melhores amigos de Nenê no futebol. Soube também que Nenê parou de jogar por contusão, ocorrida em um Juventus x Portuguesa, em lance envolvendo o atacante gaúcho Alfeu, irmão de Alcindo, do Grêmio, que jogou a Copa de 1966, na Inglaterra. Soube um monte de coisas que não sabia, graças a essa ferramenta fantástica que é a Internet. E também graças a ela suponho que a essa altura Nenê também já tenha reencontrado Cássio.