No ano do cinqüentenário da conquista da primeira Copa do Mundo pelo Brasil, em 1958, tem tudo para passar despercebida a morte do preparador físico Paulo Amaral, ocorrida no Rio, em pleno feriado de 1º de maio. Ele é o meu homenageado na coluna de hoje.
Paulo Lima Amaral era um gigante de quase dois metros de altura e 100 quilos de músculos, com a cabeça raspada a navalha, que na juventude chegou a praticar boxe e halterofilismo. Certa vez, em uma excursão do Botafogo a Medellín, na Colômbia, quebrou a cama do hotel com seu peso. Há até bem pouco tempo, ainda corria e nadava na praia. No dia 8 de outubro, Paulo Amaral iria completar 85 anos.
Ex-jogador do Flamengo (1942 a 1945) e do Botafogo (1946 a 1948), tornou-se técnico de times como Botafogo, Vasco, Fluminense, Corinthians, Juventus de Turim e Genoa, da Itália. Mas foi como preparador físico, sua profissão de origem, que Paulo Amaral mais se destacou, principalmente na Seleção Brasileira bicampeã mundial em 1958 e 1962.
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Paulo Amaral foi o primeiro preparador físico do Brasil, contratado pelo Botafogo, em 1952. Tinha fama de honesto e trabalhador e de valorizar a preparação física acima da tática ou da técnica. Também era explosivo, do tipo que queria resolver “tudo no muque”. Em um famoso Brasil 3 x Uruguai 1, pelo Campeonato Sul-Americano de 1959, disputado na Argentina, o jogo acabou se transformando em batalha campal. E Paulo Amaral conseguiu nocautear vários adversários antes que eles agredissem os jogadores brasileiros.
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Em 1973, Paulo Amaral treinava o Paraguai. Diz a lenda (e um texto da revista Placar publicado em julho daquele ano) que quando perguntou quem estava contra ele nada menos que 17 jogadores da seleção daquele país deram um passo à frente.
Em 1978, Paulo Amaral foi técnico do El Helal, de Riad, Arábia Saudita, sua última façanha profissional que mereceu algum destaque. Logo em sua estréia, no dia 7 de setembro daquele ano, o time goleou por 5 a 1. Dois dias depois, Amaral recebeu em sua casa um bilhete em árabe que pensou ser de “congratulações” pela vitória.
Não era. Tratava-se de um “bilhete azul”, avisando que ele fora dispensado. Pior: os passaportes dele, da mulher, da filha menor e até da empregada ficaram retidos no clube, que não os devolvia. Somente com a intervenção de João Havelange, então presidente da Fifa, Paulo Amaral pôde enfim retornar ao Brasil, onde morreu nesta semana.