Há algo mais rubro-negro que Obina?
Há vitória mais flamenguista que a de virada?
Há mérito maior para um campeão que vencer um time da qualidade do Botafogo?
Há time tão difícil de ser superado numa decisão como o Flamengo?
Há Flamengo mais Flamengo que o Flamengo numa final?
Não há. Não houve Botafogo. Por mais que elenco e comissão técnica tenham se superado mais uma vez, uma vez mais o Flamengo foi Flamengo. Mérito do elenco e do treinador: Diego Tardelli e Obina podem começar qualquer jogo pelo Flamengo e podem atuar desde o início em quase todas as equipes do Brasil. Mas é melhor que entrem mesmo no segundo tempo. Não como “armas secretas” – que quase todos sabem o que vai acontecer com a bola rolando; mas como opções mais que viáveis e interessantes para mudar um jogo. Ou apenas confirmá-lo.
Os grandes treinadores – e Joel Santana, não resta dúvida, ao jeito dele, joga nesse time – sabem montar times para cada um dos tempos. Ou nem para tanto. Desde a estréia de Tardelli, pelo São Paulo, em 2003, quando atuou menos de 15 minutos contra o Paraná e deu um show, o meia-atacante parece predestinado a ser um... predestinado. Os gols e os lances contra o Botafogo em duas decisões em 2008, um dos gols da goleada são-paulina contra o Atlético Paranaense, na Libertadores-05. Ele entra e resolve. E não precisa, muitas vezes, mais que os 15 minutos de fama preconizados pelo craque Andy Warhol, em outros campos.
Mas por que Diego não entra e tenta resolver desde o início?
Cada vez mais, os técnicos destes dias sabem usar o banco. Até porque têm uma substituição a mais que na década de 70, e duas opções a mais de atletas para mexer. Alguns poucos não trocam nomes. Mudam times, jogos e placares.
Joel soube como ao bater duas vezes um ousado Botafogo com as mesmas armas nada secretas: enfiou Obina na área, abriu Tardelli e Marcinho para puxar contragolpes, e foi beneficiado pela expulsão de Renato Silva e pela contusão de Wellington Paulista, que deixaram o Botafogo abalado e combalido. Talvez além da conta e do ponto para um time que não pode se perder mesmo tendo perdido mais uma vez. Cuca sabe o que faz. O problema é que o Flamengo sabe um pouco mais.
SP-08 - - Vamos ganhar, Porco!
Era o grito de todo o Palestra Itália naquela que seria a última bola do empate com a Portuguesa. Ela e a sorte foram lançadas até Jorge Preá fazer o gol que pareceu pintar de vez o SP-08 de verde.
Um gol que o Palestra cantou antes de a bola ser levantada. Não era torcida, parecia certeza; estava escrito nas oito estrelas do escudo que fica atrás daquela meta.
Pressentimento confirmado com o toque redentor de Preá.
Antecedido por uma comunhão emocionante da arquibancada com o time.
Seguido de uma das mais tocantes celebrações vistas no Palestra, com jogadores, comissão técnica e torcida correndo cada um para um lado diferente.
Ou melhor: todos para o mesmo lado. Para cima. Para o Palmeiras.
Confiança e vitória de um time enorme que volta a pensar grande. O clube investiu o pouco que tinha (e o muito que não tinha) para montar um elenco bom e caro. Fez uma tabelinha com uma parceira que relembra a Via Láctea montada pela Parmalat.
Aquela que acabou com a fila de 16 anos sem títulos, em 1993. Constelação treinada pelo mesmo Luxemburgo que dirigiu a melhor campanha da história do profissionalismo, ganhando o último caneco paulista, em 1996.
Ele foi o escolhido para fazer o clube voltar a jogar grande. Mesmo começando pequeno. Na sétima rodada, quando era apenas o 14º. colocado, depois de um 3 x 0 doído para o Guaratinguetá, Luxemburgo falava no vestiário como se tivesse goleado:
- O palmeirense ainda vai sorrir com esse elenco.
Dito e jogado. A torcida cantou e vibrou com Valdivia, o chileno mais brasileiro; aplaudiu uma linha atacante de raça com Alex Mineiro e Kléber (pedido do técnico que deu jogo tanto quanto o neovolante Léo Lima); confiou na defesa de Pierre, Gustavo e Henrique.
Mas para fazer o Palestra ser campeão como Palmeiras era preciso resgatar uma bandeira. Craque que fez a América e foi Verdão até na Série B. Marco singular, mas com nome no plural. Também por ser um camisa 1 que veste a número 12. Talvez por tantas vezes jogar por todos os 11, e de sempre torcer como todos os tantos que jogam nas arquibancadas.
Tão bonita foi a festa que Luxemburgo, em sua melhor mexida no Palmeiras, trocou os goleiros e o bastão: tirou Marcos e colocou Diego para os dois se abraçarem e manterem a tradição dos arqueiros palmeirenses. Para os dois ganharem a gratidão do estádio.
Sua santidade Marcos, o anjo-guardião palmeirense, depois de 11 meses parado, voltou à meta na derrota para o Guará. Nem ele achava que fosse a hora certa. Mas foi ganhando condição de jogo. Com ele, todo o Palmeiras. Foram oito vitórias seguidas até a derrota para os pés e mãos são-paulinos. A virada com todo o gás se deu em casa. No palco da confirmação do 22º. estadual contra a brava Ponte Preta. Com a maior goleada da história do profissionalismo.
Com a melhor campanha e o melhor ataque, o melhor time deu a última volta olímpica estadual no velho Palestra. Ele será reformado para em
breve sediar os jogos de um antigo campeão. De espírito jovem como o vovô Marcos que ergueu a taça que ficou em ótimos pés. E que tanto merecia ser erguida pelas melhores mãos.
RS-08 – Contra o Paraná, pela Copa do Brasil, ainda há como discutir a arbitragem, mas não a virada tricolor, não o grito do gigante Beira-Rio.
Mas, contra o Juventude, há como discutir um 8 a 1 que poderia ter sido 12, 13?
O Inter passou a patrola na touca alviverde. E parece pronto para o que der e vier, na Copa do Brasil e no BR-08.
MG-08 – Seis a zero no placar agregado contra o centenário Atlético. A última vitória conquistada com um time misto. O Cruzeiro pode e deve celebrar até a derrota apertada na Bombonera. E pode e deve imaginar que é possível reconquistar o Brasileirão.