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Tudo igual
Seg, 19 Mai, 11h32
Por Mauro Beting
Mauro Beting

Vinte jogos disputados, apenas sete equipes ainda não perderam. Só duas (Náutico e Cruzeiro) são 100%. Só uma (Ipatinga) é zero pontos e por cento. Nesse ritmo, não deveremos ter mais invictos até a sétima, oitava rodada.

Nada contra os que começaram bem. Mas é dever lembrar que o Cruzeiro (dos que mais chances de caneco tem) ganhou (e muito bem) de um dos lanternas (Vitória) e venceu o segundo jogo contra o mistão do Botafogo.

O Náutico derrotou o Goiás (14º. colocado que empatou contra o Atlético Mineiro que reencontrou o gol depois de 474 minutos) e bateu no Rio os reservas do Fluminense. Não há como tirar méritos. Nem colocar elogios acima da medida.

Não só o campeonato mal começou. Alguns nem botaram os times em campo. O Fluminense, por exemplo. Jogou duas com os reservas. E tem mais é de fazer o mesmo. Tem uma América a conquistar. Justamente contra um São Paulo que sabe jogar a Libertadores como ninguém – no Brasil. A vantagem carioca no confronto de volta no Rio é que o Fluminense não jogará tão mal como não atuou no Morumbi. Mas o São Paulo tem condição e história para repetir parte da ótima atuação em casa. E, no contragolpe, ou numa bola parada, fazer o gol que obrigará o rival a ter de fazer três. Muricy precisa repetir a atuação e o time. Renato vai ter de apostar em Conca.

Não há ainda como comparar equipes. O Inter é um dos sérios candidatos ao título nacional. Depois de ter perdido feio na Copa do Brasil para o impressionante Sport, foi praticamente completo a São Paulo. Mas perdeu a cabeça com Edinho, com apenas 18 minutos, e se perdeu. Com um a mais, e com Valdivia e Denilson inspirados, o Palmeiras mostrou que é tão forte quanto o Inter.

Outro dos tantos favoritos foi com os reservas dos reservas (para não dizer com um sub-20) e conseguiu ótimo empate na Arena da Baixada. O Atlético fez um e parou. A molecada tricolor cresceu e só não virou porque faltou um pênalti num lance discutível. Há gente qualificada que pode dar caldo ainda este ano. Mas é preciso ter o cuidado para lançar como costuma ter Muricy. Nem sempre a direção são-paulina.

O Flamengo é outro dos bambas de véspera que pode celebrar o empate sem gols no Olímpico. O Grêmio mais uma vez mostrou que está melhor que o esperado, pode reclamar da arbitragem, e deve lamentar as bolas nas traves ou nas mãos de Bruno, fundamentais para garantir o empate rubro-negro.

Das boas surpresas iniciais, uma pode ficar pelo caminho. O Figueirense ganhou do Coritiba mas perdeu o treinador Gallo. Está negociando o zagueiro Felipe Santana. E não deverá ter elenco para manter a ponta. Mas parece ter tudo para ficar bem longe da rabeira do BR-08.

Onde é difícil não imaginar que o Ipatinga estará. A fraca campanha do América potiguar no BR-07 deve ser “superada” pelo clube mineiro, já rebaixado no MG-08. Na Vila Belmiro, ainda houve como segurar o Santos por um tempo. Mas bastou abrir a porteira para a peixada passar. O bom futebol e a larga diferença de gols podem animar um Santos vivo para tirar a complicada derrota no México, pela Libertadores. Ca(bañas) à parte, a gordura do América é considerável. Mas não é tudo isso. Como o próprio time do gordito.

Outro que parece crescer a cada jogo é o Vasco do impressionante Leandro Amaral.

Quando chegou a São Januário, no fim de 2006, parecia contratação desesperadora do Vasco. Terminou bem o BR-07, e teve um 2007 excelente. A ponto de o Fluminense brigar como brigou por ele. E o Vasco teimar em tê-lo de volta, em 2008.

E ele seguiu fazendo gols e boas parcerias com Edmundo, com Alan Kardec, com Alex Teixeira, com Morais, com Leandro Bonfim.

Enfim, com bons nomes para fazer uma campanha melhor que a encomenda. Como foi a vítória contra a Lusa de Diogo. E só dele.

O Vasco segue vivo na Copa do Brasil e pode encarar um embalado Sport, que não poupa o experiente time (como no chocho empate com o Vitória). Mas que não tem poupado nenhum rival na Ilha. A propósito: se você acha que torcida não ganha jogo, tente ver, ouvir e sentir o que fez o rubro-negro em Recife, contra os badalados, embalados (e devidamente despachados) Palmeiras e Internacional.

Desde o primeiro lance dos 3 a 1 pelas quartas-de-final da Copa do Brasil, os rivais foram ensurdecidos e apequenados com vaias que não são normais. As duas vitórias incontestáveis (e com jogadores a menos) contra dois dos maiores favoritos ao título brasileiro não deixam dúvidas quanto a competência do rodado time de um não menos capacitado Nelsinho Baptista.

Um dos quatro favoritos ao título da Copa do Brasil. Porque o Botafogo tem jogado bem com a torcida no Engenhão; o Vasco mostrou contra o Corinthians alagoano um São Januário novamente ativo; e o Timão, especialmente na emocionante recuperação contra o Goiás, mostra que os semifinalistas estão prontos para gritar “é campeão” junto com torcidas que jogam junto. Quando não jogam melhor que as limitadas equipes por que torcem.

Corinthians, aliás, que sobra na Série B. Não apenas por deméritos rivais, mas pelo time consistente que se forma no Parque São Jorge.


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