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Yahoo! Esportes - Moscou ainda não acredita em lágrimas
Moscou ainda não acredita em lágrimas
Ter, 20 Mai, 10h17
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

Toda final de Liga dos Campeões costuma ser chamada de “jogo do ano”, mas a da atual temporada parece um pouco mais eletrizante do que as anteriores. Em primeiro lugar, pelo equilíbrio. Desde que Manchester United e Bayern de Munique se enfrentaram em Barcelona em 1999, é a primeira vez em que o cenário parece rigorosamente “fifity-fifty”, de absoluto equilíbrio.

Nos últimos oito anos, venceu o mais forte ou o que vinha em melhor momento – com exceção do Milan, favorito de 2005, que perdeu uma partida épica para o Liverpool. Quem é o mais forte no momento, Manchester ou Chelsea? O primeiro, até dois meses atrás, estava acima de todos os rivais ingleses, mas apresentou leve caída desde então. Enquanto isso, o Chelsea foi buscar na experiência de seu elenco o que lhe faltou na reta final das últimas quatro ou cinco temporadas, quando se transformou em candidato ao título europeu: a pegada de “mata-mata”.

Jogadores em condições de definir? Se o Manchester tem Cristiano Ronaldo, Tévez e Rooney, o Chelsea vai de Drogba, Ballack e Cole – sem falar em diversos outros craques já habituados a decisões, com a frieza necessária para impedir que o nervosismo trave as pernas.

A própria artilharia da Liga dos Campeões estará em jogo: Cristiano Ronaldo lidera sozinho, com sete gols, mas Drogba, com seis, pode importuná-lo.

De qualquer maneira, havia um monte de craques na final de 2006, em Paris, entre Barcelona e Arsenal, mas o gol decisivo foi de Belletti. Vá saber se Moscou não reserva um futuro de herói para o coreano Park ou para o português Ricardo Carvalho. E, veja só, Belletti estará por lá..

A rivalidade doméstica se encarrega de embolar ainda mais os prognósticos. Força dominante na Inglaterra desde o início dos anos 90, atual bicampeão nacional, o Manchester assistiu recentemente à ascensão do Chelsea, turbinada pelos investimentos do magnata russo Roman Abramovich.

Ainda que seu adversário mais tradicional continue a ser o Liverpool, o “new kid on the block” para o Manchester, que foi por algum tempo o Arsenal, agora (e pelo tempo em que Abramovich gostar do brinquedo) é o Chelsea. A final desta quarta terá um efeito simbólico: ou demonstrará que as coisas se mantêm no mesmo rumo, com a vitória do Manchester, ou apontará, com a vitória do Chelsea, para um equilíbrio de forças que, no futuro próximo, poderá ser invertido.

Há também o chamado “encaixe” de um time com o outro. Diante do adversário nesta final, tanto Manchester quanto Chelsea não conseguem jogar exatamente como gostam porque seu estilo é neutralizado, ao menos nas boas jornadas, pelo do rival.

“Moscou não Acredita em Lágrimas” é o título de um bem-sucedido filme russo de 1980, ainda nos tempos da URSS. Parece um bom slogan para uma partida que, parafraseando o que dizia Michael Jordan sobre os “playoffs” da NBA, distinguirá homens de meninos.


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