Toda final de Liga dos Campeões costuma ser chamada de “jogo do ano”, mas a da atual temporada parece um pouco mais eletrizante do que as anteriores. Em primeiro lugar, pelo equilíbrio. Desde que Manchester United e Bayern de Munique se enfrentaram em Barcelona em 1999, é a primeira vez em que o cenário parece rigorosamente “fifity-fifty”, de absoluto equilíbrio.
Nos últimos oito anos, venceu o mais forte ou o que vinha em melhor momento – com exceção do Milan, favorito de 2005, que perdeu uma partida épica para o Liverpool. Quem é o mais forte no momento, Manchester ou Chelsea? O primeiro, até dois meses atrás, estava acima de todos os rivais ingleses, mas apresentou leve caída desde então. Enquanto isso, o Chelsea foi buscar na experiência de seu elenco o que lhe faltou na reta final das últimas quatro ou cinco temporadas, quando se transformou em candidato ao título europeu: a pegada de “mata-mata”.
Jogadores em condições de definir? Se o Manchester tem Cristiano Ronaldo, Tévez e Rooney, o Chelsea vai de Drogba, Ballack e Cole – sem falar em diversos outros craques já habituados a decisões, com a frieza necessária para impedir que o nervosismo trave as pernas.
A própria artilharia da Liga dos Campeões estará em jogo: Cristiano Ronaldo lidera sozinho, com sete gols, mas Drogba, com seis, pode importuná-lo.
De qualquer maneira, havia um monte de craques na final de 2006, em Paris, entre Barcelona e Arsenal, mas o gol decisivo foi de Belletti. Vá saber se Moscou não reserva um futuro de herói para o coreano Park ou para o português Ricardo Carvalho. E, veja só, Belletti estará por lá..
A rivalidade doméstica se encarrega de embolar ainda mais os prognósticos. Força dominante na Inglaterra desde o início dos anos 90, atual bicampeão nacional, o Manchester assistiu recentemente à ascensão do Chelsea, turbinada pelos investimentos do magnata russo Roman Abramovich.
Ainda que seu adversário mais tradicional continue a ser o Liverpool, o “new kid on the block” para o Manchester, que foi por algum tempo o Arsenal, agora (e pelo tempo em que Abramovich gostar do brinquedo) é o Chelsea. A final desta quarta terá um efeito simbólico: ou demonstrará que as coisas se mantêm no mesmo rumo, com a vitória do Manchester, ou apontará, com a vitória do Chelsea, para um equilíbrio de forças que, no futuro próximo, poderá ser invertido.
Há também o chamado “encaixe” de um time com o outro. Diante do adversário nesta final, tanto Manchester quanto Chelsea não conseguem jogar exatamente como gostam porque seu estilo é neutralizado, ao menos nas boas jornadas, pelo do rival.
“Moscou não Acredita em Lágrimas” é o título de um bem-sucedido filme russo de 1980, ainda nos tempos da URSS. Parece um bom slogan para uma partida que, parafraseando o que dizia Michael Jordan sobre os “playoffs” da NBA, distinguirá homens de meninos.