Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ao contrário do discurso
moderado que normalmente toma conta dos atletas em preparação
para competições importantes, o nadador César Cielo tem na
autoconfiança declarada uma arma para atingir os objetivos que
vê a sua frente.
O paulista de 21 anos vai disputar em Pequim a primeira
Olimpíada da carreira. Apesar de estar em quinto lugar no
ranking mundial, ele garante que vai brigar pelo recorde
mundial dos 50 metros livre com o francês Alain Bernard e o
australiano Eamon Sullivan -- que trocaram quebras neste ano.
O trio também deve repetir o duelo nos 100m, prova em que
Cielo tem o terceiro melhor tempo de 2008, atrás dos rivais.
"Estou esperando uma briga muito dura na Olimpíada, não
tenho mais dúvida de que estou indo para baixar bastante o meu
tempo. Eu pretendo brigar com os melhores e lutar por uma
medalha", disse o nadador, que conversou com a Reuters no
intervalo das provas do Troféu Maria Lenk, no Rio de Janeiro,
nesta quinta-feira.
Pergunta: Você está hoje entre os melhores velocistas do
mundo, como acha que será a disputa dessas provas na Olimpíada
de Pequim?
Resposta: O cenário mudou um pouco ultimamente. Os
americanos ficaram bem para trás da gente, agora são os
franceses e o australiano que estão no topo da prova de livre,
então vai ser uma briga dura. Sei que a gente está um pouquinho
à frente dos outros, mas o australiano está um pouquinho à
frente da gente também. Então ele deve ser o maior adversário
na competição, mas acho que o psicológico vai fazer muita
diferença.
P: Você é uma pessoa que demonstra ser bastante
autoconfiante, de que forma isso ajuda nas competições?
R: Nós velocistas temos uma personalidade agressiva mesmo,
aquela coisa de ficar bravo, ficar feliz, então eu não tento
esconder não, acho que é a da minha natureza, essa
autoconfiança, e isso pode me ajudar. Para mim funciona, eu não
faço isso para tentar impressionar ninguém, é para mim mesmo,
para chegar para nadar sabendo o que eu posso fazer.
P: A prova olímpica ficou mais difícil para você com esses
recordes quebrados este ano com o novo maiô (o LZR Racer, da
Speedo, que foi utilizado por Bernard e Sullivan)?
R: Sempre estive no mesmo nível desse pessoal. Eles deram
uma baixada agora, mas eu ainda não tive a chance de nadar em
piscina longa, então eu não vejo por que não chegar e fazer a
mesmo coisa que eles fizerem. Vejo que estou totalmente na
briga.
P: Você tem mais chances nos 50m ou nos 100m?
R: Com certeza vou brigar nos dois. Nos 50m, tenho certeza
que estou bem melhor do que era antes. Ontem (quarta-feira) fiz
o tempo só seis centésimos acima do meu melhor -- Cielo venceu
a prova do Maria Lenk com 21s90, ante seu recorde pessoal de
21s84 -- e estou no meio de treinamento.
Tenho certeza que na hora que eu raspar o corpo, fizer o
descanso adequado, devo estar chegando bem perto do recorde
mundial, quem sabe até batendo. E para os 100m livre também
estou com uma expectativa muito boa.
P: Você se sente pressionado para conquistar uma medalha
para a natação brasileira, depois que o país não subiu ao pódio
em Atenas-2004 na natação?
R: Há um pouco de peso, mas estamos divididos dessa vez. O
Kaio (Márcio Almeida), o Thiago (Pereira) e o Nicholas (Santos)
estão bem também, então a gente divide em esse peso. Acho que o
cenário mudou bastante de 2004 para cá, em 2004 a gente
celebrava cada índice feito, e aqui já tem o pessoal que fez o
índice e que está muito mais forte que o índice. A gente não
está indo só para fazer final, acredito que esse time está indo
para pegar mais de uma medalha.
P: Vai usar o LZR Racer na Olimpíada?
R: Vou com o que tiver de melhor na hora. Na minha prova,
um centésimo é muito tempo. Ainda estou decidindo qual roupa
vai ser, mas com certeza será uma dessas novas.
Cielo tem competido com o maiô da empresa européia TYR, mas
o Brasil é patrocinado pela Speedo, fabricante do LZR.