Por Pedro Fonseca
RIO DE JANEIRO (Reuters) - A natação feminina do Brasil
classificou até o momento cinco atletas em provas individuais
para os Jogos Olímpicos de Pequim, e com a obtenção do índice
por Joanna Maranhão recuperou parte do prestígio perdido com o
caso de doping de sua ex-estrela, a velocista Rebeca Gusmão.
Flávia Delaroli, Fabíola Molina, Daynara de Paula,
Gabriella Silva, além de Joanna -- superam as três atletas que
foram à Olimpíada de Atenas, em 2004, por índices em provas
individuais.
Como ainda busca classificação nos revezamentos 4x100m
livre, 4x100m medley e 4x200m livre, o país pode quebrar o
recorde de participação feminina em Olimpíadas, superando as
oito nadadoras que foram à Grécia.
"Desde que o ínidice A da Fina (federação internacional)
foi adotado em 2000, houve uma melhora técnica muito grande.
Nós podemos afirmar que pelos índices individuais já
alcançados, o nível de qualidade dessa seleção brasileira
teoricamente é o melhor", disse o supervisor técnico de natação
da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA),
Ricardo de Moura.
"Numa Olimpíada, a quantidade hoje é relativa, o
importante, e a tendência que vai seguir o mundo, é a
qualidade. Se você não tiver o mínimo de qualidade, você fica
fora das semifinais e finais", acrescentou.
O Brasil tinha conseguido índice nos dois revezamentos
estilo livre durante o Pan-Americano do Rio de Janeiro, no ano
passado, mas os resultados foram impugnados pela Federação
Internacional de Natação porque Rebeca Gusmão fazia parte das
equipes.
Sem Rebeca, que envolveu-se num escândalo de doping durante
a competição de 2007, os olhos da natação brasileira se voltam
novamente para Joanna Maranhão, quinta colocada nos Jogos de
Atenas e que garantiu sua vaga em Pequim na última chance, no
Troféu Maria Lenk desta semana.
Aos 17 anos, a nadadora maranhense conseguiu o melhor
resultado da natação feminina do Brasil numa Olimpíada em
décadas ao terminar em 5o nos 400m medley na Grécia, mas uma
série de problemas pessoais --incluindo a confissão de um caso
de abuso sexual de seu técnico na infância-- colocaram em risco
sua participação em Pequim.
Com a vaga assegurada na quarta-feira, Joanna pode agora se
concentrar apenas em voltar a uma final olímpica.
"Sei que sou capaz de voltar a nadar o meu melhor tempo, o
que eu preciso agora é me focar no treinamento e melhorar a
parte técnica no nado de peito e na virada de costas", disse à
Reuters Joanna, que tem como recorde pessoal 4min40s00, em
Atenas, e que garantiu a vaga em Pequim ao nadar 4min44s66 no
Maria Lenk.
"Quatro segundos na minha prova não é muito. Meu pensamento
é repetir a final olímpica, não posso querer menos do que eu já
conquistei", acrescentou a nadadora, que desde 2006 toma
medicamento anti-depressivo como resultado de uma terapia
iniciada após uma queda brusca no rendimento da atleta.
Com a volta de Joanna à equipe olímpica do Brasil, o
presidente da CBDA, Coaracy Nunes, garantiu que a atleta
receberá apoio total da confederação, incluindo patrocínio e
treinamentos no exterior. Joanna e Coaracy se desentenderam no
passado, quando a CBDA decidiu cortar o apoio a nadadora pela
falta de bons resultados.
"Agora ela é atleta olímpica de novo. Todos os problemas
que eu tive com a Joanna são coisa do passado. Ela terá todo o
nosso apoio", afirmou o dirigente.