Por Nick Mulvenney
ACAMPAMENTO NO EVEREST, China (Reuters) - Uma mulher
tibetana deu os últimos passos para levar a tocha olímpica ao
topo do monte Everest na quinta-feira, realizando "um sonho de
todo o povo chinês", mas grupos de defesa dos direitos humanos
criticaram Pequim por politizar os Jogos.
"Vida longa ao Tibet!" e "vida longa a Pequim!", gritaram
os alpinistas para as câmeras da TV, todos vestidos de
vermelho, depois de desenrolar as bandeiras chinesa, olímpica e
uma com o símbolo da Olimpíada de Pequim.
O ambicioso projeto de levar a tocha ao cume da montanha
mais alta do mundo foi o destaque do revezamento que antecede
os Jogos que começam em exatos três meses. Protestos contra o
comando chinês do Tibet marcaram a passagem da tocha por vários
países.
"Cumprimos a promessa que fizemos ao mundo e realizamos um
sonho de todo o povo chinês", disse a repórteres o comandante
do acampamento, Li Zhixin, depois ser cercado pelos amigos e
colegas que festejavam o feito.
A China comunista gastou bilhões de dólares para sediar a
Olimpíada, ávida para projetar a imagem de um país moderno e
vibrante. Mas os protestos durante o revezamento internacional
da tocha ofenderam o orgulho chinês e despertaram um forte
sentimento nacionalista no país.
Grupos estrangeiros pró-Tibet condenam a China por levar a
tocha ao ponto mais alto do mundo.
"A conquista chinesa do Everest é uma ação política feita
para reafirmar o controle da China sobre o Tibet", disse um
comunicado de Tenzin dorjee, vice-diretor do movimento
Estudantes pelo Tibet Livre, enviado de Nova York.
A campanha Tibet Livre disse em seu site que o projeto é "é
uma tentativa insensível (da China) de legitimar suas
reivindicações infundadas de soberania sobre o Tibet".
Manifestantes anti-China perturbaram seriamente algumas
etapas do revezamento da tocha ao redor do mundo, depois que
revoltas na capital tibetana, Lhasa, no dia 14 de março, e do
conflito que o sucedeu em áreas tibetanas da China.
Grupos tibetanos disseram que planejavam fazer vigílias no
mundo todo na quinta-feira, para rezar pelas almas das pessoas
mortos no Tibete.
A China diz que a "panelinha do Dalai Lama" foi responsável
pelas revoltas no Tibete e pelos protestos durante o
revezamento.
(Reportagem adicional de Abhishek Madhukar em Dharamsala)