ISTAMBUL (AFP) - O piloto brasileiro Rubens Barrichello, que conviveu por bastante tempo com a pressão de substituir Ayrton Senna no coração dos brasileiros, disputará neste domingo no circuito de Istambul seu 257º Grande Prêmio, estabelecendo um novo recorde nesta sua 16ª temporada na Fórmula 1, na qual estreou em 1993 no GP da África do Sul, com a Jordan.
Esta marca é contestada por alguns, que consideram que ela se refere apenas às inscrições nos grandes prêmios e não os que realmente disputou. Para estes críticos, devem ser levadas em conta as provas em que largou.
No entanto, nos últimos dias parecem ser consenso considerar a corrida turca como a do recorde de Barrichello.
"Há um pouco de confusão. Os dados variam, assim decidimos considerar o número de corridas das quais participei. Para os que não estão contentes, para quem acredita que é muito, ainda temos três corridas para comemorar, à brasileira", disse Barichello.
O piloto brasileiro, que fará 36 anos daqui a duas semanas, não largou no Grande Prêmio de San Marino de 1994, porque fraturou o nariz nos treinos da sexta-feira em um acidente. Na pista viu o terrível acidente que tirou a vida de um dos maiores ídolos brasileiros do esporte, o amigo Ayrton Senna.
Da mesma maneira, participou dos treinos dos grandes prêmios da Bélgica-1998, França-2002 e Espanha-2002, mas, ainda que estivesse no grid, não largou por problemas mecânicos.
Seja em Istambul ou um pouco mais tarde, o certo é que superará o recorde do italiano Ricardo Patrese, que disputou 256 provas entre 1977 e 1993.
"Chegar a ser o piloto mais experiente da Fórmula 1 significa muito para mim. Tive uma longa carreira e muitas boas recordações, mas não me sinto hoje diferente em relação a meu primeiro Grande Prêmio em 1993. Poderia dizer que é como se minha primeira corrida em Kyalami tivesse sido disputada ontem", assinalou Rubinho, como chamado por seus conterrâneos.
O brasileiro disputou três temporadas na Jordan, antes de passar para a Stewart entre 1997 e 1999, quando se transferiu para a Ferrari, escuderia na qual teve suas seis melhores temporadas.
Seu primeiro triunfo com a 'Scuderia' foi no ano 2000 na Alemanha, obtendo depois outros oito sucessos. Mas, na equipe de Maranello, foi sempre uma sombra do mítico companheiro Michael Schumacher.
Barrichello foi o segundo nos mundiais de 2002 e 2004 e contribuiu para que sua equipe conquistasse cinco títulos de construtores, e acumulou 13 'poles' e 61 pódios.
Desde 2006 corre para a Honda, com a qual seu número de corridas disputadas irá crescer nos próximos meses.
"Quando converso com os pilotos mais jovens sinte que muitos deles logo estão fartos de todas as obrigações, representações e relações públicas. Para mim, minha vida é magnífica. No primeiro ano com a Honda trabalhei muito como relações públicas, mas em seguida as coisas se acalmaram e pude colocar todo minha energia no carro", explicou.
Apesar da idade, não parece que a aposentadoria está nos planos imediatos de Barrichello, que se sente 'ainda jovem' e acredita que pode correr por mais alguns anos, apontando para a quase imbatível marca de 300 grandes prêmios disputados.