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Yahoo! Esportes - Outra madrugada vermelha em Moscou
Outra madrugada vermelha em Moscou
Qua, 21 Mai, 07h43
Por Sérgio Rizzo
Sérgio Rizzo

Em um mundo perfeito, os dois presidentes se reuniriam no centro do gramado com Michel Platini, presidente da Uefa, e decidiriam que Chelsea e Manchester United dividiriam o título da Liga dos Campeões. Quem acompanhou a temporada e assistiu ao jogo de hoje sempre se lembrará do equilíbrio entre os adversários, talvez as principais equipes do planeta no momento.

O regulamento, no entanto, previa os pênaltis, e os pênaltis - 14 deles, dramaticamente batidos sob chuva intensa na madrugada de Moscou - reservaram a consagração dos almanaques, que trazem apenas o nome dos vencedores, para o Manchester.

Não seria justo, ao final de um confronto entre equipes de força equivalente, buscar vilões. Terry, o capitão do Chelsea? Ninguém melhor do que ele sabia que converter o último pênalti da série inicial de cinco o imortalizaria na história do clube e do futebol europeu. Seria ele, na foto, a levantar o troféu.

Terry escorregou, no entanto, e chutou para fora. É provável que não consiga dormir hoje, talvez nem amanhã, mas não merece ser crucificado – inclusive porque todos sabemos, embora os almanaques não registrem, que ele foi quem evitou que Giggs marcasse o segundo gol do Manchester ainda com a bola rolando.

Anelka seria candidato natural a vilão, ao desperdiçar a última cobrança. É um jogador muitas vezes apático, que troca de clube como quem muda de restaurante, e jogar a culpa pela derrota nas suas costas parece muito convidativo para o torcedor de cabeça quente. Talvez seja melhor preservá-lo, assim como aos demais colegas, diante da constatação de que o Chelsea perdeu em pé, um instante depois de acreditar na vitória iminente – e, nesse caminho alternativo do destino, o Manchester também perderia em pé.

Sem vilão, não se pode ter herói. Talvez seja o caso de atribuir uma espécie de menção honrosa, a medalha Homem-Aranha, ao goleiro holandês Van der Sar, o último a tocar na bola, defendendo o pênalti de Anelka. Há cinco ou seis anos, ele já era considerado um goleiro em vias de aposentadoria. E pé frio, por causa das derrotas da Holanda em decisões por pênaltis. Hoje, Van der Sar também não vai dormir, como Terry, mas será de alegria.

Coube a Ferdinand e Giggs, em bonito dueto de capitães, levantar o troféu em Moscou. Imagine se tivessem ao lado Terry e Lampard, em concerto de vitória a duas cores e oito mãos?

Seria uma cena muito razoável, coerente com a temporada, mas a graça do futebol também está na tragédia de quem sente o triunfo perto e, em questão de minutos, às vezes de segundos, o vê escorrer pelas mãos.


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