O Independiente é conhecido e reconhecido como o “rey de Copas” da Libertadores. Sete vezes chegou à final, sete vezes foi campeão sul-americano. A última, em 1984. Merece todo o respeito do continente que já foi dele por sete vezes. Mas já foi. Não é mais.
O novo rei de copas é o velho Boca de guerra. É o campeão do século 21. Quando chega para decidir, chega chegando, ganhando. Melhora a jogos vistos na Libertadores. Tem história fabulosa contra brasileiros, decidindo na Bombonera ou fora, ganhando dentro ou fora.
Mas também perde. Nos pênaltis, foi batido em 2004 pelo Once Caldas, em Manizales. Por que não pode perder para um time tecnicamente muito superior ao colombiano como o do Fluminense de 2008?
Pode perder, como o São Paulo foi derrotado na última bola, no Maracanã, num cruzamento perfeito de Thiago Neves para a cabeçada letal de Washington, erguido aos céus e à antologia por Sobrenatural de Almeida, em épica porfia que nem Nelson Rodrigues conseguiria descrever.
O Fluminense está pronto para fazer a América. Precisa, apenas, bolar um jeito de conter Riquelme. Não há no elenco tricolor alguém com essa característica – aliás, há alguém, neste continente, que consiga parar o Boca?
Saberemos no mesmo dia em que candidatos ao título da Libertadores-09 estarão em campo. Em São Paulo, chances iguais para o redivivo Corinthians (100% na Série B, jogando bem ou não) e o menos desfalcado Botafogo. Que tem a vantagem (pequena), tem mais time (ainda), e estará menos desfalcado. A questão é que se o corintiano jogar junto como ajudou a deletar o Goiás, no Morumbi, fica difícil até para o Boca se arrumar.
Em São Januário, o arrumado Sport não terá a Ilha do Retiro que tão bem e tão bonito tem ajudado o rubro-negro. Mas a vantagem de dois gols é pra lá de considerável. Por mais ajeitado que esteja sendo o Vasco de Lopes, a tarefa é bem mais complicada em outro jogo igual. Mas com cores mais rubro-negras.
BR-08 – Três rodadas, apenas um time 100%. O Cruzeiro que meteu quatro no Santos e poderia ter feito mais – embora também pudesse ter levado uns golzinhos do Santos doído pela eliminação não merecida contra o América, na Libertadores. Guilherme e Wágner comandaram uma senhora goleada de um time que vai perder Marcelo Moreno, pode ainda ficar sem Ramires, mas terá elenco para brigar pelo título.
Do outro lado da tabela, não existe mais time zero ponto. O Ipatinga arrancou empate com o preocupante Goiás. Duas equipes que precisam jogar muito mais. E não parecem ter grandes elencos para tanto.
Da turma dos invictos, um que inspira cuidados é o Atlético Mineiro. Não perde. Também não ganha. Poderia até ter vencido o Furacão, na Baixada. Teve um pênalti não marcado no fim do jogo. Mas não teve muito mais para fazer melhor. Nem deverá ter durante a campanha. O bom para o torcedor rubro-negro é que Roberto Fernandes tem pinta de fazer um bom trabalho no CT do Caju. Gosta e sabe atacar. Veremos.
Na seleta turma dos invictos, o Flamengo é o segundo colocado. Ganhou de virada em 10 minutos do Inter, com um meio-campo mais leve e fluido que o de Joel Santana. O Colorado é um que começa abaixo do esperado (como os paulistas, que não passam do décimo lugar). Se perdeu clássicos “perdíveis” para Palmeiras e Flamengo, parece ter perdido a consistência quando atua fora de casa. Muito atrás, sem pegada, sem chegada. Estranho. Como o “desfocado” Palmeiras, que só empatou com a Portuguesa, no Pacaembu. Fez bom primeiro tempo, perdeu pênalti, e se perdeu na segunda etapa para o time do ótimo Diogo. Um Palmeiras que parece sentir o efeito inverso ao de São Paulo (que só empatou e jogou mal contra o acertado Coritiba) e Santos, derrubados na Libertadores: o Palmeiras parece inebriado pelas espumas do Paulistão.
O Grêmio é bom exemplo para quem caiu feio recentemente – ou não tão feio assim. Como afirma o próprio Celso Roth, o elenco deve demais ao torcedor tricolor. Mas está fazendo o jogo dele no BR-08. É o terceiro colocado, com resultados melhores que atuações e encomendas. Mas com promessas interessantes como Rafael Carioca e Hélder, e o ainda mais promissor garoto Douglas (ainda não utilizado).
Outra promessa é o Vitória, que fez 4 a 0 no Figueirense, e poderia ter feito mais que o dobro contra o Figueirense. Se a defesa rubro-negra ainda é uma incógnita, o ataque funcionou bonito, no Barradão.
Nos jogos entre poupados, o clássico foi igual, no Engenhão. O misto do Fogão empatou no fim contra os reservas do Vasco. O Fluminense reserva quase empatou com o Sport, na Ilha. Tudo normal. Tudo só no começo.