O título desta coluna vai no plural, mesmo. Porque esta não é a primeira vez que o Corinthians salta de um inferno (como o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro) para o céu (como a decisão da Copa do Brasil) em tão curto período de tempo..
1982. Oitavo colocado no Paulista do ano anterior, o Corinthians é condenado a disputar a Taça de Prata, que nada mais era que a atual Série B do Brasileiro. Remanescentes como Zé Maria, Wladimir, Biro-Biro, Zenon e Sócrates juntam-se a promessas como o centroavante Casagrande e a jogadores apenas esforçados, como o goleiro César, os zagueiros Gomes e Wagner Basílio, o volante Paulinho e o ponta-esquerda Joãozinho.
Na malfadada Taça de Prata, o time vai subindo aos poucos, ganhando do América Carioca (2 a 0), empatando com Colatina-ES (1 a 1) e Catuense-BA (0 a 0), goleando o Guará-DF (5 a 1)com quatro gols de Casagrande em sua estréia e derrotando o Leônico-BA (3 a 1). Na segunda fase, bastam uma vitória fora sobre o Fortaleza (4 a 2) e outra em casa contra o Campinense-PB (2 a 1) para garantir a volta à primeira divisão naquele mesmo ano.
No chamado “Grupo do Povo”, o Corinthians joga em ida e volta com o Flamengo de Zico, então campeão mundial, o Inter e o grande Atlético Mineiro de Luizinho, Reinaldo e Éder. E faz bonito: 1 a 1 com o Fla no Morumbi, 2 a 0 no Inter em Porto Alegre, 3 a 1 no Galo no Mineirão, 1 a 0 no Inter em São Paulo e derrota por 2 a 0 para o Fla, no Maracanã, quando já estava classificado em segundo lugar no grupo.
Nas quartas-de-final, passa pelo Bangu ganhando no Maracanã (1 a 0) e perdendo no Morumbi (2 a 1). Só pára nas semifinais, contra o Grêmio, perdendo em São Paulo (2 a 1) e em Porto Alegre (3 a 1). Da segundona à condição de um dos quatro melhores times do Brasil, em menos de três meses.
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1987. Com apenas 14 pontos ganhos em 38 disputados (4 vitórias, 6 empates, 9 derrotas), o Corinthians termina o primeiro turno do Campeonato Paulista ameaçado pelo rebaixamento, em penúltimo lugar, ao lado do Bandeirante de Birigüi e apenas um ponto à frente do lanterna Novorizontino. No segundo turno, o técnico Formiga substitui Basílio, que, por sua vez, já havia entrado no lugar de Jorge Vieira. E o time reage.
Dos 19 jogos do segundo turno daquele Paulistão, o Corinthians só perdeu um, o último, para o São Bento, em Sorocaba, por 2 a 1, quando já estava classificado para as semifinais. Empatou apenas três vezes e venceu todas as outras quinze restantes, a maioria embalado pelo hit “É Coringão, é Coringão, olê, olê, olê”, em um Pacaembu sempre lotado. Nas semifinais, passa pelo Santos com direito a uma goleada (5 a 1, quatro gols do centroavante Edmar) no primeiro jogo. Na decisão, perde a primeira para o São Paulo (2 a 1), empata a segunda (0 a 0) e dá adeus ao título. Aquele time, porém, já havia feito demais. E por isso entrou para a história.
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2001. Novamente o fantasma do rebaixamento assusta no Campeonato Paulista. E outra vez o Corinthians dá a volta por cima. O ano de 2000 havia se encerrado com o recorde negativo na história do clube de dez derrotas seguidas e um empate. 2001 começa com mais dois empates e outro recorde negativo: 15 jogos e exatos quatro meses sem uma única vitória. No Paulista, o Corinthians ganha só o primeiro jogo (2 a 1 no Palmeiras). Depois, soma duas derrotas e um empate, passando a ocupar a zona de rebaixamento.
Então, Vanderlei Luxemburgo assume como técnico no lugar de Darío Pereyra. A equipe ganha nada menos que dez partidas seguidas, sete delas pelo Paulista e três pela Copa do Brasil. Chega à decisão das duas competições, perdendo a Copa do Brasil para o Grêmio mas sagrando-se campeão estadual diante do Botafogo de Ribeirão Preto. Da água para o vinho, “qual fênix ressurgida das cinzas”. Exatamente como agora.