Perto do céu, dois cariocas foram banidos do Olimpo do futebol brasileiro por pernambucanos e paulistas na última quarta-feira. Dois jogos, duas situações diferentes e resultados iguais. Botafogo e Vasco deixaram passar entre os dedos a classificação às finais da Copa do Brasil. Não foram os pênaltis mal batidos por Zé Carlos e Edmundo, razão objetiva. Mas por causa da personalidade das estrelas dos dois times.
O Alvinegro evoluiu demais após a chegada de Cuca em General Severiano. O clube acabara de conquistar o Campeonato Carioca com Carlos Roberto. E um time mesclado de juniores e atletas que vinham da honrosa luta contra o rebaixamento do Brasileirão. O botafoguense recebeu o novo treinador de braços abertos.
Apoiado pela diretoria e torcida, Cuca voou em céu de brigadeiro nas asas de Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio, Jorge Henrique e outros. Futebol vistoso. Mas as derrotas em partidas decisivas foram se acumulando. Veio 2008 e se foram Juninho, Joílson, Dodô e Zé. Conhecemos então a equipe que surpreendeu no Cariocão deste ano. Mas assim como na Copa do Brasil e o ano anterior, o Botafogo não ganhou nada.
O abatimento a cada derrota, a autopunição, a pena de si mesmo, tornou Cuca um problema para ele mesmo e à equipe. De novo, em vez de mudar a atitude, a tristeza prevaleceu. Agora, Cuca começa uma nova vida profissional. Antes um bom conhecedor de talentos, hoje reconhecido como um treinador cheio de recursos técnicos e profissionais, pretendido por vários clubes.
Ao Botafogo cabe remontar a equipe. Não está que jogou contra o Corinthians, mas uma nova que vibre em campo, não apenas quando tem a posse de bola, mas que não se conforme em deixá-la nos pés dos adversários. Uma equipe que não fique triste ao perder, mas enraivecida quando não ganhar. O espírito precisa mudar. O clima de choro tem que acabar. Chorar só de alegria.
Por que parar?
Como diziam os antigos, ele “caiu como uma luva” no time do Vasco da Gama. Agora em forma, Edmundo tem Leandro Amaral a auxiliá-lo no ataque e todo prestígio do mundo com Antonio Lopes e Eurico Miranda. A equipe ainda tem que dar um jeito no sistema defensivo, mas é outro time, muito diferente do que “não” disputou o Carioca.
Edmundo não é o mesmo de 1998, mas ainda tem muito a dar ao futebol. Ainda mais ao futebol carioca. Sua personalidade bipolar ainda é um problema, mas meio Edmundo é melhor que 90% dos jogadores que atuam no Brasil. Ele é um cara que não “rouba” o clube, como se diz no jargão do futebol – quando jogador ficar enganando em campo e recebendo salário de quem deveria estar jogando bola.
A outra metade de Edmundo é quem deve parar. O cara intempestivo, desagregador e derrubador de técnico, esse precisa entender que sua outra metade não lhe garante mais perdão. Edmundo deve parar é de bater pênaltis. Mas não deve parar de jogar profissionalmente agora.