Apenas os Atléticos e o Internacional não passaram pelo G-4 ou pelo G-menos-4. Oito dos 20 times do Brasileirão já estiveram entre os quatro melhores da competição, depois de apenas quatro rodadas; nove clubes já purgaram ou ainda estão entre os piores do campeonato.
Não é novidade tamanho equilíbrio, e com (muitos) quatro clubes sendo rebaixados em campeonato tão nivelado. Também não é anormal apenas três equipes (Cruzeiro, Flamengo e Atlético Mineiro) permaneceram invictas. Dificilmente algum clube seguirá nessa situação até a décima rodada.
Mas seria muito melhor o campeonato se as equipes tentassem um pouquinho mais o gol. A horrorosa média de 1,6 gols por jogo na quarta rodada é nada. Quase zero.
LÍDER - O Cruzeiro, que era o único 100%, teve de suar sangue (e jogar um tanto atrás além da encomenda) para empatar com um cada vez melhor Coritiba. Empate que também nasceu de erros de arbitragem: um gol mal anulado do Coxa e um pênalti discutível (pela infração: dava para não a ter marcado; mas se Símon anotou a falta de Espinoza em Michael, deveria a ter marcado dentro da área, e não fora, como errou seu assistente).
Se faltou mais ousadia a Adilson na armação do meio-campo, não tem faltado futebol ao Coritiba. Dorival Júnior acha um bom lugar a Rubens Cardoso no meio e o Coxa melhora a cada jogo. Como o Vasco, que virou para cima do Grêmio, acabou com a invencibilidade gaúcha e, ao menos por ora, esqueceu a doída eliminação na Copa do Brasil para o Sport. Com Edmundo de volta ao campo de jogo e ao ofício (por ordem do dono de São Januário), com Leandro Amaral afinado (e até Jean marcando seus gols), o Vasco chega ao G-4 pela primeira vez e se supera, desbancando um Grêmio que depende demais de seus poucos valores de boa técnica à frente. Ainda que haja molecada de bom nível lançada por Roth, parece pouco para tamanha história o elenco tricolor.
G-4 – O Flamengo vai aos poucos mudando o jeito de jogar. Léo Moura se planta, Juan avança, o meio segue com boa qualidade. Talvez não seja o melhor jeito de explorar os lados, mas, por ora, está dando jogo e pontos. Porém, o post-it deve ser grudado na geladeira de cada jogador: o Flamengo venceu dois duros rivais com os times reservas – Santos e Fluminense. E só saiu uma vez do Maracanã.
BATALHAS - O Náutico se mantém na turma da Libertadores-09 com bela vitória na estréia de Leandro Machado no comando do clube. O terceiro treinador em quatro jogos. Venceu com absoluta autoridade o abalado Botafogo sem treinador efetivo. Mas foi o abuso da autoridade policial o destaque negativo nos Aflitos. Até Bebeto de Freitas reprovou o destempero de André Luiz, zagueiro que não deveria ter sido expulso pela arbitragem. Mas que também não poderia mostrar os dedos do meio aos torcedores timbus, não poderia ter ficado no banco de reservas alvinegro, não precisava ter desacatado a autoridade – e muito menos o policiamento poderia ter feito aquele festival de exageros com ele, com o presidente do clube, com o lateral Alessandro, com o volante Diguinho, e com a própria casa do Náutico. Por mais objetiva que seja a responsabilidade do mandante, não pode ser um desmando policial que poderia colocar em risco os futuros mandos de campo do Náutico. Se parece legal a pretensão da procuradoria do STJD de punir o clube (por ser mandante), é ilegítima, no caso, qualquer ação nesse sentido contra ele.
Uma coisa é a torcida queimar banheiro ou o corpo de seguranças do clube agir contra adversários. Outra é o pelotão de polícia brincar de tropa de elite num estádio de futebol.
TURMA DO FUNIL – O Ipatinga, ao menos por hora, está fora da zona de rebaixamento. Venceu com autoridade o Vitória que voltou a ter uma defesa pouco confiável.
O Goiás apareceu no rebolo pela primeira vez. Pelos problemas técnicos e pela crise instaurada desde a eliminação para o Corinthians e a perda do estadual para o Itumbiara, a má classificação pode não ser passageira. O mau jogo e o mau empate com o Figueirense preocupam.
O São Paulo é outro que também precisa acordar. Num clássico medíocre, sem gols e sem futebol, pôde celebrar apenas o empate na Vila. Jogo ruim como o do Santos do interino Márcio Fernandes.
Mas ainda melhor que a Portuguesa, que perdeu para o Atlético Mineiro que estreou belos uniformes centenários, e mostrou molecada com potencial e veteranos que ainda dão canja, como o eterno Marques.
O Fluminense perdeu no fim o clássico para o Flamengo, mas tem uma América a conquistar contra o Boca. Passando como tem time para tanto, pode até tirar o pé do BR-08 por mais tempo. Mas não por tanto.
MEIO DA TABELA – O Palmeiras não fez lá um grande jogo, mas bateu o Atlético. Outro paranaense prejudicado por erro de arbitragem, na anulação de gol legal no primeiro tempo. Faltou Valdivia no Palestra, e ainda falta muito daquele time que tão bem ganhou o SP-08. O Atlético caiu na tabela, mas tenta achar um jogo mais ofensivo, ao gosto do treinador Roberto Fernandes.
O Sport segue vivo e bonito também no Brasileirão. Empatou bacana com o Inter, em Porto Alegre, e não se poupou para as durezas da Copa do Brasil. Ainda não pesou para elenco tão rodado. Mas a dupla jornada pode pedir a conta ao final dela. O Corinthians não tem se perdido na tranqüila Série B e tem achado seu jogo. Tem time e torcida para ganhar bem no Morumbi. Até para tentar não perder como todos, na Ilha do Retiro.
TREINADORES - A questão para o Inter é recolher os cacos do mau início e da perda de Abelão para os Emirados Árabes Unidos. O treinador fará falta no Beira-Rio. Por melhor que seja o elenco colorado, é perda qualificada sensível.
Se já foram sete os treinadores que mudaram de clube em apenas quatro rodadas, só Ney Franco foi demitido: três deles aceitaram outras propostas, e três saíram porque quiseram – ou quiseram que eles saíssem.
Desta vez, a responsabilidade não é só de nossos cartolas.
LIBERTADORES - A América sabe como o Boca joga. Quase ninguém sabe não fazer o time xeneize se classificar em mata-mata. Porque há equipes que não perdem – também não ganham; ficam nos pênaltis, como duas vezes parou o Palmeiras, em 2000 e 2001. Há aquelas que gloriosamente vencem na Bombonera (o Paysandu, em 2003, e o Cruz Azul, em 2001). Mas perdem, em casa, ou nos pênaltis.
O Flu começa classificado. Até o empate por um gol leva o Tricolor à final. Um time que não sabe jogar para empatar. Em casa, vai ter de fazer seu jogo fluido e ofensivo. Não pode e não deve atuar de outra maneira. Mas precisa ser surdo como foi em Avellaneda. Não pode ouvir o tricolor no Maracanã empurrando a equipe à frente para dar campo a Riquelme, Palacio e Palermo (e aos bons meias Chávez e Dátolo).
Saber equilibrar ânimos e o jogo é essencial para a classificação do Fluminense. Que não é o favorito. Mas por tudo que o Tricolor conquistou na Argentina, pela bola cheia e redonda que tem jogado na Libertadores, o Boca também não é mais o bamba.
Um dos tantos méritos da equipe portenha nos últimos anos não é apenas a aposta no estruturado 4-3-1-2, na repetição de uma base, na iluminação de um Riquelme. É a confiança que não se mistura com a soberba. O Boca parece que sabe que vai ganhar. Tem a convicção necessária, e a inteligência de não se achar imortal. Essa tênue linha entre se achar e não se perder é que parece fazer a equipe tão vencedora.
Porém vencível. Na bola aérea, o Boca é falível. Um goleiro irregular e uma dupla discutível facilitam um Fluminense que já marcou 17 gols de cabeça em 2008. Tricolor que marcou 23 dos 67 gols na temporada em bolas cruzadas sobre a área rival. E mais 20 gols em tiros de fora da área. Daqueles que os goleiros do Boca têm adorado tomar na Libertadores.