Não é fácil não. Ser o mais habilidoso jogador de um elenco e passar a maior parte do tempo assistindo aos jogos, sentado junto aos reservas. Por mais que se fale em “estar no grupo”, “todos são titulares” e outros chavões do futebol, não dá para engolir que ele não tenha a vaga no time. Para quem começou a temporada com três atacantes de alto nível, o Fluminense hoje economiza agressividade e talento quando deixa Dodô no banco.
As coisas têm dado certo para Renato Gaúcho, mas isso não quer dizer que ele esteja correto em sua teimosia. Na noite de 5 de março passado, o “ Artilheiro dos gols bonitos” mostrou ao mundo todo o que ele poderia fazer em campo. Foi na goleada de 6 a 0 sobre o Arsenal argentino que Dodô provou aos tricolores o seu melhor futebol. Foram dois golaços, ao melhor estilo do atacante, uma assistência e ainda sofreu a falta do primeiro gol.
Depois disso, a terrível contusão na testa, o jogador fraturou o osso frontal. Dodô correu numa recuperação assombrosa para voltar logo aos campos. Reabilitado, três ou quatro jogos mais tarde, já era o mesmo jogador daquele cinco de março. Renato foi cuidadoso, e colocando o artilheiro aos poucos, conseguiu que ele voltasse ao ritmo sem forçar. Até aí tudo certo.
Mas a letra do samba de Aluísio Machado, Minha Filosofia, já dizia: “...o remédio que cura também pode matar. Como água demais, mata a planta”. O cuidado de usar Cícero, no ataque, na partida contra o Boca em Buenos Aires foi adequado. Mas, no Maracanã, foi terrível para os tricolores assistirem o pobre Igor perdido entre os argentinos. Começava no jogador a falta de uma saída de bola de qualidade que isolava Washington e Cícero do resto do time.
Bastou a entrada de Dodô para ele sofrer a falta muito bem cobrada pelo “Coração Valente”, roubar a bola e lançar Conca para fazer o gol da virada. E ele mesmo fechou o caixão do Boca, na histórica semifinal da Libertadores. O atacante decretou o fim da supremacia daqueles portenhos sobre os clubes brasileiros. Acredito isto seja o suficiente para Renato rever sua posição. É melhor contar com o talento do que continuar a apostar na sorte.