Palermo de cabeça no segundo pau, a bola passando pelas mãos de Fernando Henrique como se fosse o Barbosa de 1950. Na mesma meta do Maracanazo. Um gol sabido e cantado do Boca, 23 vezes classificado em 26 mata-matas em Libertadores, desde 2000.
Até aquela quarta-feira no Rio. Nem preciso dizer qual quarta. Aquela tricolor. A primeira decisão de Libertadores. Escrita 90 minutos antes de tudo. Ou um minuto depois de Dodô entrar em campo. Ele sofreu a falta que Washington castigou a torcida do campeoníssimo argentino. Como Conca, de passagem millonaria, que foi cruzar uma bola que carambolou na zaga xeneize e virou o jogo e virou história. Que Dodô fez questão de deixar ainda mais bonita com um golaço 110% Dodô.
Quem pode duvidar do melhor time da Libertadores, que passou como quis por São Paulo e Boca, contra a L.D.U.? Quase ninguém. Como praticamente ninguém dava uma bola furada pelo Corinthians do corintianíssimo Herrera no início da Copa do Brasil. Como ainda menos gente parecia acreditar que o Sport pudesse voltar para Recife animado até os 45min16s, quando Enilton achou um gol que impediu a maior vitória de um mandante numa decisão de Copa do Brasil. Mas ainda uma senhora vitória conquistada pelo Corinthians que mandou em campo como manda o figurino. Como o Sport deverá fazer na Ilha do Retiro.
Duas vibrantes torcidas que não se dão por vencidas, que empurram qualquer time a jogar além do que podem. Corinthians e Sport já queimaram minha língua contra Goiás, Botafogo, Palmeiras e Inter. Como duvidar do que elas podem fazer numa decisão? Evidente que, por história, futebol e matemática, as chances paulistas são maiores. Só que a Ilha do Retiro tem feito tão bonito como o Morumbi corintiano como nunca.
Mas com o devido respeito aos finalistas da Copa do Brasil – justamente por lutarem para em 2009 fazer o que fez o Fluminense: chegar a uma decisão de Libertadores; quando o Maracanã tem jogo, não há outro jogo. Ele é difícil de ser superado. E quando uma equipe faz o que só o Santos de Pelé havia feito, e com a qualidade técnica que “não combinava com o espírito de Libertadores”, não é apenas superação. É antológico.
O Fluminense ainda não ganhou nada. O Corinthians ainda não é tri, nem o Sport está morto. Porque justamente os três superaram previsões e pragas. Foram gigantes. E nos deram, além de lições de futebol, exemplos de vida.
Mas para deixar bem claro: acredito que o Sport vença o Corinthians. Mas o Corinthians vencerá a Copa do Brasil.[
FLAMENGO 5 x 0 FIGUEIRENSE – No encontro do melhor ataque contra a pior defesa, deu Flamengo. Fácil. Bonito. O novo artilheiro Marcinho deu velocidade e gols juntamente com Maxi. Souza se reencontrou e o rubro-negro vai achando um jeito de jogar, com Juan mais solto, Léo Moura mais preso, Toró dando suporte à zaga, e um bom meio-campo qualificando o jogo.
CRUZEIRO 1 X 0 VASCO – A Raposa só não é o líder por um gol a menos. Mas o futebol mais bonito até agora do BR-08 também teve duas arbitragens ajudando a equipe. Contra o Coritiba, na quarta rodada, e na vitória contra o Vasco. Era para ter sido uma goleada celeste no primeiro tempo. A pressão foi menos intensa na segunda etapa. Mas o gol da vitória só saiu por um preciosismo da interpretação draconiana da regra do jogo por parte de Wilson Mendonça. Ninguém marca aquela falta do goleiro Tiago. Quer dizer, Wilson marca.
IPATINGA 0 X 0 NÁUTICO – O Timbu segue no G-4. Mesmo com um time ainda coberto de dúvidas. Impressiona no fraco empate com o Ipatinga apenas a aparente recuperação mineira. O maior candidato ao rebaixamento segue fora do G menos 4.
GRÊMIO 2 x 1 FLUMINENSE – O mais que favorito candidato ao título da Libertadores veio com oito titulares. Saiu do Olímpico como saiu o time reserva nas rodadas anteriores. O Grêmio mandou em campo e no placar com atuação de bom nível. Impressiona no Tricolor gaúcho é que fora o horroroso time de 2004, qualquer Grêmio parece sempre jogar mais do que sabe. O Flu, claro, ainda não “brincou” no BR-08, como disse Renato. E é bom começar a parar de brincar, na pior acepção do termo.
ATLÉTICO-PR 5 x 0 GOIÁS– A sede de gols do Furacão pareceu voltar à Arena. Foi 5 a 0, e poderia ter sido mais. Mérito de Roberto Fernandes, que manda o time atacar. E demérito total do destrambelhado Goiás. Tão perdido estava que Amaral meteu a mão na bola dentro da área, imaginando que o jogo estivesse tão parado quanto o time goiano. Pior ainda esteve Vadão, que declarou que o time estava bem até o pênalti estúpido. Estar “bem” era estar perdendo por 3 a 0...
SPORT 2 X 0 PALMEIRAS – O time B rubro-negro fez o que quis contra um Palmeiras Zzzz... e vai decidir a Copa do Brasil ainda mais animado. Diferentemente do desanimado Palmeiras, que fez sua pior exibição em 2008. Nenhuma chance criada pelos paulistas que vão ficando para trás na tabela. Um dos maiores favoritos ao título deve bola.
VITÓRIA 1 x 0 SANTOS – Outro treinador que coloca o time à frente é Vágner Mancini. Fez 1 a 0 e poderia ter feito mais no primeiro tempo contra o Santos do estreante Cuca. Ganhou uma expulsão injusta de Wesley, a 7min. E mereceu vencer o jogo, mesmo com uma atuação ruim na segunda etapa. Mas menos pior que a do Santos.
BOTAFOGO 2 X 1 CORITIBA– Os dois pênaltis aconteceram. E o Botafogo mais ofensivo que o esperado – algo que costuma acontecer com Geninho... – ganhou bem do Coritiba que poderia ter quatro pontos a mais se não fossem os erros de arbitragem.
SÃO PAULO 5 X 1 ATLÉTICO-MG – O Tricolor ainda não havia ganho no BR-08. O Atlético Mineiro ainda não havia perdido. Bastaram 15 minutos para o São Paulo fazer mais que o dobro dos gols que havia marcado em quatro jogos. Com Joílson e Hugo inspirados, com um Galo escancarado, o 5 a 1 não foi um exagero. Pode ser um marco para o São Paulo. E um alerta para o Atlético.
PORTUGUESA 3 X 1 INTERNACIONAL – Colorado e Palmeiras eram os meus maiores favoritos ao título nacional... do jeito que não estão jogando, fica difícil acertar o palpite. A Portuguesa virou bonito no Canindé e vai se virando no perde-ganha de um Brasileirão que já teve oito clubes no G-4, e outros 10 abaixo do nível d’água.