A bola é quadrada.
Para Dunga, “a grande verdade é o campo”. Se é isso, o Paraguai tem sido muito mais time que o Brasil.
Para o treinador da CBF, o “retângulo é que decide tudo”. Matemática e futebolisticamente falando, data vênia caro mestre Dunga, a esfera é mais importante que o retângulo.
Quando se usa um losango no meio-campo da seleção brasileira com Gilberto Silva, Mineiro e Josué, e apenas Diego na ponta dele para pensar o jogo, nossa bola fica um pouco mais quadrada.
O Paraguai é adversário temível neste torneio. Desde 1985, não ganhamos lá, eles têm a melhor campanha das Eliminatórias, o melhor ataque e a melhor defesa. Ok. Isso é matemática. Mas isso também não é futebol brasileiro. Se a Venezuela tem sido menos Venezuela, o Brasil tem sido cada vez menos brasileiro.
O mundo muda: enquanto Dunga escala três volantes, o time guarani joga com três atacantes; desde Solano López, o general da Guerra do Paraguai, a armada adversária não atacava o Brasil do jeito que o bom time de Gerardo Martino nos atacou, com Cabañas e Haedo pelas pontas, e Santa Cruz por dentro. Se eles tinham uma boa jogada aérea, nem disso precisou: o gol paraguaio saiu de um escanteio (mal) batido rasteiro, que nenhum pé apareceu para desviar, e nenhuma alma acompanhou o Roque paraguaio, aos 25min.
Pronto. Bastou. O Brasil tentou algo, mas sem idéias e cabeças para jogar. Enquanto isso, no contragolpe, o Paraguai deitou e rolou. Literalmente. O esguio Cabañas chegou a cair, dar uma cambalhota, e ainda ganhar na corrida de Juan. Foi o retrato do jogo, preto e branco esmaecido de um amarelo tão pálido como o brasileiro.
Deus ainda botou uma fita verde-amarela no retrovisor, no intervalo. Anderson entrou com 45 minutos de atraso. Mas o que adianta qualificar se Verón foi expulso e, um minuto depois, Cabañas ampliou? O Paraguai administrou a vantagem e foi tirando o time do ataque.
O Brasil? Dois tiros longos de Anderson, e mais nada. Não estávamos na área do Paraguai, não estávamos no campo do Brasil. Pior: não estávamos nem aí.
Contra a Argentina, outro jogo, outra história, outra geografia, até podemos vencer e nos recuperar na tabela. Mas recuperar o jogo brasileiro, não sei se vai ser possível. Enquanto Dunga não recuperar Kaká e Ronaldinho Gaúcho, fica difícil. Enquanto Dunga não resgatar a estima à Seleção (motivo básico da contatração de um treinador-trainee para o mais importante cargo de nosso futebol), fica ainda mais difícil.
Não me parece o caso de sacar as casacas de Dunga da CBF. Mas também não era o caso de ele ser convidado para o cargo, depois do fiasco de 2006. Até porque ele tem a garantia de Ricardo Teixeira de que não sairá do cargo. Isto é: ele não tem garantia alguma de que ficará comandando a descomandada e desgovernada Seleção do Brasil Made in Paraguai.
SPORT - Navamuel, Pirombá, Pinhegas, Ciscador, Walfredo, Mulatinho, Bibi, Manoelzinho, Magri, Salvador, Furlan, Djalma, Clóvis, Zago e Ademir. Talvez você só conheça este último, o artilheiro da Copa de 1950. Mas saiba que foi esse elenco, em 1942, o primeiro nordestino a excursionar no “Sul maravilha”. Em 17 jogos, 11 vitórias (duas goleadas) do Sport, e apenas quatro derrotas. Seis do elenco acabaram ficando no futebol carioca. Entre eles Ademir de Menezes, o Queixada, bandeira vascaína. O primeiro grande nome a sair do Norte para fazer história no eixo que manda(va) no Brasil sem dar a pelota devida ao que não fosse Rio e São Paulo.
Ninguém imaginava que o Sport fosse fazer tão bonito em 1942. Porque antes disso (e até 2008), normalmente não falamos do que acontece longe de nossos olhos. Ou umbigos. O Leão que domou o Sul-Sudeste em uma excursão pré-televisão é o experiente time que, este ano, passou pelos favoritos Palmeiras, Internacional, Vasco e Corinthians. Derrubou gigantes do Sul e Sudeste. Na bola, e não no apito - apesar da reclamação exacerbada de Mano Menezes e da diretoria corintiana; eles que souberam ganhar tão bonito até a final, não tiveram a grandeza de admitir a superioridade rival.
Parece fazer parte do discurso da elite – qualquer uma, de qualquer lugar. Não apenas não reconhecer o trabalho alheio; mas imaginar que os grandes, os poderosos, esses não podem ser derrubados, derrotados. Não é o clube de menor investimento, expressão e influência que vence – é o gigante que perde. Clubes de São Paulo e Rio ganham, empatam e perdem. Jamais são derrotados.
Por isso o infeliz discurso de Mano, dos melhores treinadores da nova geração, mas viciado no discurso-desculpa vazio que diminuiu a grandeza de monstros como Telê, Luxemburgo e Felipão. Eles muitas vezes debitaram na conta da arbitragem as derrotas. Ou melhor: as vitórias adversárias.
Os centros esquecidos pela mídia reclamam não sem razão. Não apenas por não serem reconhecidos quando ganham. Mas porque os grandes não reconhecem quando perdem. Acham que só eles é que são derrotados. Não são os rivais que vencem.
Como se superou o Sport. Um time que venceu um dos Corinthians mais corintianos dos últimos anos. Um grande que havia sido rebaixado em campo e derrubado fora dele em 2007 por uma desgovernada direção que nem assim conseguiu tirar do coração corintiano a fé que moveu montanhas.
Mas não a Ilha.
BR-08 – Belas vitórias de São Paulo e Palmeiras derrubaram os últimos invictos do BR-08. Goiás e Fluminense seguem sem vencer. O Grêmio segue subindo. E tudo segue igual no Brasileirão: vai ser tudo diferente a cada rodada equilibrada.