Passada a régua em metade da primeira fase, nenhuma grande surpresa na Euro 2008. Portugal e Alemanha avançaram para as quartas, Suíça e Áustria naufragaram. Até aí, exatamente o que se esperava. Mas, com o vacilo alemão, mudou o desenho dos confrontos: a semifinal antes “reservada” para Portugal e Alemanha, na Basiléia, terá apenas um deles, contra a heróica Turquia ou a Croácia 100%.
A frieza dos prognósticos apontaria os portugueses como os mais fortes entre essas quatro seleções, mas em matéria de frieza os especialistas continuam a ser os alemães, em especial quando jogam apenas na conta do chá, fazendo o estritamente necessário. E, seja lá qual deles passar, haverá do outro lado um azarão disposto a fazer história, como a Grécia na Euro 2004.
As duas vagas restantes para as quartas começam a ser decididas nesta terça-feira, quando a já classificada Holanda pegará a Romênia, em Berna. Nas vitórias contra a Itália e a França, os holandeses sobraram em campo. Em condições normais, os romenos seriam vítimas relativamente fáceis. Mas é possível que Van Basten poupe alguns titulares e que a equipe resolva jogar apenas por amor ao esporte, enquanto o adversário fará o jogo da vida.
Moral da história: o que parecia quase impossível no início da Euro 2008, a desclassificação conjunta de França e Itália, agora se torna uma possibilidade bem concreta. Nessa hipótese, não se recomenda perder o apito final do juiz em Zurique: ver os atuais campeão e vice mundiais se despedindo da competição continental, um contra o outro, é dessas imagens que só o futebol propicia e que não têm preço.
A vaga a ser decidida na quarta-feira tem apenas dois concorrentes, Rússia e Suécia, que se enfrentam em Innsbruck, enquanto a Grécia se despedirá no mesmo horário contra a já classificada Espanha, em Salzburgo.
Das quatro seleções que saem nesse braço da competição para disputar uma vaga na final, ninguém parece capaz de impedir a marcha da Holanda – exceto, como já ocorreu em diversas ocasiões, os próprios holandeses e sua incrível capacidade de entregar resultados quando são superiores aos adversários.
Só não foi assim na Euro 1988, quando Van Basten estava em campo. No banco, o ex-atacante terá condições de impedir um eventual naufrágio caso o time entre inexplicavelmente em pane, como nas Copas de 1974, 1978, 1990 e 2006, sem contar as Eurocopas?
Quem aprecia o bom futebol deveria torcer para que a história, desta vez, seja escrita de outra forma. Em cor de laranja.