PARIS – Pelo preço camarada de cinco euros (cerca de 12 reais), assisti à vitória da Espanha sobre a Rússia como se estivesse lá mesmo em Viena. A sala 3 do cine Gaumont Parnasse, em frente à Torre Montparnasse, exibiu o filme em sua tela gigante, com o som ambiente do campo (incluindo gritos dos jogadores e o ruído dos chutes) em dolby stereo.
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E sem narração, uma dádiva dos céus: o narrador principal da TV pública francesa, que transmite no país a Euro 2008, é de uma mediocridade constrangedora e quase sempre irritante.
O que os espectadores do Gaumont Parnasse viram, no entanto, foi o mesmo que você: o que parecia um tremendo golpe de azar para a Espanha (a saída precoce de Villa) se tornou um presente dos céus (com a entrada de Fábregas).
A mudança interrompeu a escalada de domínio territorial da Rússia no primeiro tempo, entregou o controle do meio-campo à Espanha e levou no segundo tempo a uma vitória mais tranqüila do que o próprio Luis Aragonés talvez imaginasse.
Custava muito escalar Fábregas desde o início, no lugar de Silva? Com ele, Xavi, Marcos Senna e Iniesta, a Espanha tem força, talento e saída de bola no meio-campo.
O teste final dos espanhóis será contra um meio-campo menos talentoso, mas de maior força e segurança, com um jogador frio e experiente como Ballack na condução equilibrada dos trabalhos.
É provável que a final de domingo seja decidida nessa zona do campo. Na teoria, a Alemanha parece mais letal, sobretudo com o retorno de Schweinsteiger à formação titular e a recomposição quase integral do time que por muito pouco não chegou à final da Copa de 2006.
Para a Espanha, sempre desacreditada por conta de um favoritismo jamais confirmado em campo, chegar à final já equivale ao que significou para Portugal a disputa do título europeu em 2004, em matéria de auto-estima e de perspectivas de futuro, principalmente porque a base da equipe é jovem e continuará em condições de brigar por títulos nos próximos quatro ou seis (sendo otimista, talvez oito) anos.
Certeza, a essa altura, apenas a de que haverá um brasileiro campeão. O que já se tornou rotina na Liga dos Campeões agora atinge também a Eurocopa.
Se der Espanha, a participação nacional será mais representativa, por conta do ótimo desempenho de Marcos Senna, elogiado pela imprensa européia como um dos melhores da posição na Euro 2008 e apontado como um dos responsáveis pela mudança (para melhor) no padrão de jogo dos espanhóis.
Se der Alemanha, o “brasileiro” com a faixa será Kevin Kuranyi, reserva do ataque, que jogou apenas 15 minutos em toda a competição, segundo as estatísticas da Uefa.
Outra certeza é a de que estarei domingo no cinema, ouvindo de perto, apesar da distância física, os gritos de felicidade dos campeões. Bom jogo para todos, estejam onde estiverem.