PARIS – Demorou, mas a Espanha saiu do começo da fila em que se encontrava desde 1964 e deixou ali Portugal (que jamais ganhou a Eurocopa) e Holanda (que foi campeã continental em 1988). A vitória que devolveu aos espanhóis a auto-estima, em baixa devido a consecutivas decepções em grandes torneios, veio à moda alemã, com determinação, pragmatismo e um gol decisivo construído no erro do adversário.
Já os alemães ficaram parecendo os espanhóis das Copas de 1982, 1986, 1994, 1998, 2002 e 2006: muita expectativa antes da partida, enorme frustração dentro de campo. De Lehmann a Podolski, a equipe foi apática, desorganizada e, coisa ainda mais estranha, desatenta.
De qualquer forma, o saldo provisório da era Klinsmann-Low é positivo.. Ninguém dava nada pela Alemanha em 2006 e ela quase alcançou a final. Dois anos depois, chegou à Eurocopa na condição de favorita e confirmou a expectativa, derrubando Portugal no caminho.
Problema mais grave à vista: a reposição de Frings e Ballack. Não há ainda herdeiros naturais para esses dois jogadores-chave, que talvez disputem a Copa de 2010, mas que já não têm o fôlego dos melhores tempos.
A Espanha, ao contrário, consagra com o título europeu a nova geração que deixou vacas sagradas como Raúl e Morientes vendo a final em casa, espera-se que torcendo a favor.
O grupo que se consagrou agora na Suíça e na Áustria chegará bem – talvez ainda melhor, graças a injeções de maturidade e confiança, e a um novo técnico, talvez menos parecido com Raymond Domenech do que Luis Aragonés -- à Copa de 2010 e à Euro 2012.
O futuro do campeonato europeu de seleções, por sinal, começará a ser desenhado em setembro, quando o comitê executivo da Uefa se reunirá para discutir uma agenda em que dois pontos se destacam.
O primeiro, mais urgente: a Polônia e a Ucrânia, sedes de 2012, estão com o cronograma de tarefas muito atrasado. Os poloneses cogitam abertamente desistir de receber a competição.
Outro ponto, considerado quase certo, prevê a ampliação da fase final da Euro 2016 para 24 equipes (contra as atuais 16, que perdurariam ainda em 2012). Como as eliminatórias do torneio que se encerrou foram disputadas por 49 seleções, essa fórmula incluiria quase a metade dos candidatos.
Politicamente, o aumento teria o objetivo primordial de impedir que algum dos principais mercados da bola fique de fora. Foi o que ocorreu, neste ano, com a Grã-Bretanha – a Irlanda e as quatro seleções que representam o Reino Unido (Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales) viram a Eurocopa pela TV.
O dinheiro move o mundo da bola e a libra move boa parte da economia européia. Elementar, meu caro Platini.