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Ainda dá
Seg, 30 Jun, 11h07
Por Mauro Beting
Mauro Beting

Aos 45 minutos de jogo, em Quito, Washington subiu de cabeça no primeiro pau e desviou o escanteio. Não para a meta do fraco Cevallos, mas contra o iluminado Fernando Henrique. Prostrado, o goleiro tricolor viu o volante Urrutia aparecer sozinho, na segunda trave, e marcar o quarto gol da LDU.

Desde a primeira decisão de Libertadores, em 1960, jamais um finalista havia sofrido quatro gols no primeiro tempo. Por mais que se esperassem problemas na altitude, por mais que a parada de semanas entre a gloriosa vitória sobre o Boca e a primeira decisiva pudesse afetar o excelente momento do Fluminense, por melhor que seja o bom time da LDU, por tudo isso e muito mais, não havia como se esperar tão menos do melhor time da Libertadores.

Ao final do jogo, a derrota por 4 a 2 foi até um alívio. Poderia ter sido a avalanche do primeiro tempo até o fim. Acabou sendo uma vitória carioca no segundo tempo. Pelo nada que jogou, dois gols a favor foram muito.

É a mesma leitura da agenda mais que positiva de Renato Gaúcho. Cada vez mais gaudério no banco, cada vez mais fluminense nas entrevistas. Se souber dosar a confiança necessária com a auto-suficiência desnecessária, terá criado o clima ideal para o elenco dar a resposta ainda possível no Maracanã. Serão 90 minutos para devolver os dois gols – não importando os possíveis sofridos se a diferença for igualada; serão mais 30 minutos para fazer mais um para ganhar o título. Na pior das hipóteses, depois de duas horas e dois gols, os pênaltis que o Fluminense já viu a LDU bater contra o San Lorenzo poderão dar o 14º. título brasileiro de Libertadores.

Será muito difícil se o Tricolor repetir a partida desatenta e desastrada do primeiro tempo, e pouco inspirada da segunda etapa. Mas parece ser ainda mais improvável um time desse nível bisar atuação tão bisonha.

O Flu que despachou São Paulo e Boca não parece ser equipe que murche no Maracanã contra a LDU. Sobretudo contra um goleiro fraco, defendido por três zagueiros que falham no jogo aéreo, e um meio-campo de boa qualidade na criação, nem tanto na contenção.

BR-08 – Princípio básico da regra do jogo é não beneficiar o infrator. Até Ricardo Teixeira sabe que o goleiro, numa cobrança de pênalti, representa a equipe faltosa. A paradinha vale. Até porque os goleiros estão exorbitando nas adiantadas. Que os cobradores exagerem nas paradonas.

E quem escreve é um goleiro de peladas.

EURO – Sou pago para falar por aqui de futebol brasileiro. Mas quando Marcos Senna é campeão europeu, é dever registrar. Pela excelente fase do volante, que joga na Espanha tudo que não jogava por aqui. E pelo fato de ele ser o único volante de um time que joga bonito e bem. Numa época em que Dunga escala três volantes contra o Paraguai, apenas duas das 16 seleções da Euro jogaram assim. Nenhuma que tenha ido longe e tão bem como a Espanha.

SPORT 1 X 2 FLAMENGO – Ganhar do campeão da Copa do Brasil não é para qualquer um. Na Ilha do Retiro, menos ainda. E quando vence o líder do Brasileirão que sentia certos traumas fora do Maracanã, é prova de que a ótima fase não é passageira. O Flamengo está na ponta por mérito. Com Juan voando, armando e atacando, um volante precisa dar um pé a Fábio Luciano e Angelim. Como Leo Moura tem o mesmo potencial, melhor soltá-lo à direita. Toró se vira para garantir essa cobertura. Mas, por falta de melhores opções na entrada da área, talvez seja a vez de... Jaílton! Será? O Sport que encerre as festas e volte a campo.

GRÊMIO 1 X 1 INTER – O primeiro gol colorado foi irregular – Nilmar estava impedido. Mas a atuação do Inter foi ótima. Segura na defesa, letal no contragolpe. Caminhava para grande vitória no Gre-Nal 370 quando o excelente Renan fez pênalti tolo em Rodrigo Mendes e entregou a vitória que estava aos pés do Inter. Um time que não deixou o Grêmio jogar.

CRUZEIRO 1 X 1 SÃO PAULO – Primeiro tempo azul, um gol relâmpago no reinício tricolor. Placar justo. Pelas circunstâncias, o São Paulo voltou com um empate do Mineirão onde não perde há 4 anos; o Cruzeiro perdeu dois, também pelo segundo tempo pouco criativo. Muricy tem boas opções ofensivas no banco para dar velocidade. Adilson ainda carece de maior rodagem do jovem elenco.

PALMEIRAS 2 X 0 NÁUTICO – O placar foi injusto com a qualidade e quantidade de jogo do Verdão, em sua melhor exibição no BR-08. Mas também foi injusto com o Náutico, que não cometeu o pênalti convertido pelo artilheiro Alex Mineiro. Leandro Machado segurou demais o Timbu no primeiro tempo. Quando saiu para o jogo, deu o contragolpe e o golaço a Denilson, do Palmeiras que pela primeira vez chegou ao G-4. Com pinta de que vai permanecer por bom tempo.

VITÓRIA 3 X 0 GOIÁS – Antes do BR-08, era um confronto entre dois dos tantos candidatos a brigar para não cair. Pela bela vitória baiana, a bucha está com o Goiás. O Vitória, à base da velocidade e da boa saída pelos cantos, vai achando seu jogo. Já é o quinto colocado. A melhor surpresa do BR-08 com a queda do Náutico (o próprio Leandro Machado admite que o G-4 era demais para o atual estágio do elenco alvirrubro).

PORTUGUESA 0 X 0 SANTOS – Em casa, contra um Santos derrubado, era jogo para a Lusa mostrar que poderia sonhar com dias e jogos melhores. Mas foi um pesadelo o clássico no Canindé. Se faltou um pênalti em Diogo, faltou bola aos dois times. Cuca ainda ganhará bons reforços para mudar o seu azar. A Lusa é uma incógnita.

VASCO 4 X 2 IPATINGA – Foi o último jogo de Eurico Miranda soltando baforadas em seu bunker em São Januário. Sete vezes campeão estadual, três vezes campeão do Brasil, uma Libertadores, uma Mercosul, não são poucas as conquistas do Vasco euriquista. Mas são tantas as derrotas democráticas, transparentes, tantos estragos fez no futebol carioca, brasileiro e na credibilidade do jogo, tão mal deixou a imagem do Vasco (o pioneiro do pluralismo no Brasil), que não havia como permanecer em São Januário. Que Roberto dinamite o autoritarismo do antecessor e recoloque o Vasco no rumo.

ATLÉTICO-PR 1 X 1 CORITIBA – Marcos Tamandaré estava impedido no gol de empate do Coxa, no fim de um bom clássico, na Arena. Lance difícil de ser observado. Há como discutir uma bola na mão/mão na bola de Carlinhos Paraíba. E há como entender o Furacão mais forte com o retorno de Ferreira, com o bom jogo de Márcio Azevedo pela lateral esquerda, e com a vontade ofensiva de Roberto Fernandes. Similar a de Dorival Júnior que, desta vez, optou por um esquema mais retraído. E saiu do campo rival com o empate que queria.

FIGUEIRENSE 1 X 1 ATLÉTICO-MG – Gallo conhece o Figueira que travou em Floripa, com um belo gol de Petkovic. Mas o estreante PC Gusmão sabe como é seu time? Ele é o terceiro treinador do clube em apenas 8 rodadas. Fica difícil acertar a mão e os pés catarinenses. Mas o time se mexeu legal, com mais uma boa atuação de Cleiton Xavier. O Galo é que não se achou. E ainda deve pontos e bola. Continua sem vencer fora de casa. E não achou um atacante confiável – os dois moleques não podem ser cobrados se falta qualidade na armação.

BOTAFOGO 0 X 0 FLUMINENSE – O Tricolor pode celebrar o empate com uma atuação até que bastante razoável de seu time reserva – mas precisar estar atento pela lanterna mantida na oitava rodada; o Botafogo deve lamentar a atuação e o placar. E as perspectivas no BR-08. Os clássicos do fim de semana de Rio e São Paulo foram abaixo da média. Para não escrever outra coisa.


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