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Hoje em esportes
Sodoma ou Gomorra – Parte 1
(Ter, 22 Jul, 06h31)
 

Por Alexandre Baçallo

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A ótima matéria, “Farra dos ingressos”, muito bem apurada pelos repórteres Chico Otávio e Gian Amato, publicada no jornal O Globo do último domingo, mostra uma pequena parte de um enorme iceberg que é a zona tricolor. O uso do poder dentro do clube para benefício próprio. Isso no futebol é mixaria. E, no Flu, parece não ser diferente.

A reportagem mostra que 50% dos ingressos destinados à final da Libertadores foram desviados para dentro do clube e, de lá, para sócios, torcidas organizadas e empresas de turismo. Conseqüentemente também para os cambistas, que também deram seus depoimentos na matéria.

Dois xarás são acusados de serem responsáveis pelo derrame: Carlos Henrique Correia, superintendente geral, e Carlos Henrique Ferreira, vice-presidente de finanças. O primeiro já foi convidado pela Decon – Delegacia do Consumidor, juntamente com Fúlvio Silva do Nascimento, gerente da BWA (empresa responsável pela emissão dos bilhetes), e Luís Albanesi, dono da agência de turismo Fast Copa, para dar esclarecimentos sobre o caso.

É claro que este estardalhaço chega após um campeonato inteiro. Ou seja, apenas na final da Libertadores, digamos, o ”bicho pegou”. Será que isto aconteceu na competição inteira? Por que não? A investigação vai mostrar entre outras coisas, que até na segunda-feira à noite – o jogo foi na quarta, dois de julho – havia ingressos dentro do clube. Um amigo da coluna pagou R$ 150 reais por uma meia-entrada nas cadeiras azuis para um terceiro amigo, que não conseguiu comprar nos meios disponíveis aos mortais.

O triste nesta história é que quatro horas após o início das vendas, no sábado anterior ao jogo, o superintendente geral do Fluminense, Carlos Henrique Correia, afirmou à imprensa que restavam apenas três mil ingressos de cadeiras inferiores nas bilheterias do Maracanã.

Outro amigo da coluna garantiu que vice-presidentes, diretores e outros sócios influentes receberam cada 200 ingressos de meia-entrada nas cadeiras azuis sob consignação. Ou seja, estes 50 privilegiados sócios estavam livres para comprar, vender, agenciar ou fazer qualquer coisa, inclusive assistir ao jogo, com os ingressos. E depois poderiam pagar ao clube com o preço de tabela.

Quem freqüenta o Fluminense sabe que, para qualquer jogo, basta dar uma passada no bar do tênis e resolver seu problema com o pessoal lá. Mas isso o presidente do clube, Roberto Horcades, não viu acontecer. Ele mesmo disse que o clube está fazendo uma rigorosa investigação para apurar os episódios, que levaram os torcedores do clube a apanharem da Polícia Militar no sábado que Correia disse que não havia mais ingressos nas bilheterias do clube. Na quinta que vem tem mais.

 
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