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Yahoo! Esportes - Tributo a Luiz Fernando Bindi
Tributo a Luiz Fernando Bindi
Sex, 25 Jul, 12h45
Por Celso Unzelte
Celso Unzelte

O jornalista esportivo Luiz Fernando Bindi morreu em São Paulo, na tarde de 22 de julho, aos 34 anos, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Se você o conhecia, sabe bem o motivo desta homenagem. Se não, conheça nesta coluna um pouco sobre seu trabalho

Bindi era daquele rol da crônica esportiva menos badalada, da qual eu tenho orgulho de também fazer parte. Mas — meu Deus! — quanta coisa produziu no pouco tempo que teve de vida. Era geógrafo de formação, comentarista da rádio 105 FM, colunista do Blog do Birner, colaborador da Rádio Bandeirantes (principalmente do programa Fanáticos por Futebol, apresentado por Marcelo Duarte) e do site e da revista Trivela.

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Definia-se como “palmeirense desde sempre e juventino por amor à Mooca”, bairro onde sempre morou. Mas a verdade é que Bindi amava antes de tudo o próprio futebol. “Assisto todos os jogos que consigo, da Premier League até a 4ª divisão da Itália, passando por futebol do interior de São Paulo e do interior da Indonésia”, explicava na apresentação de seu blog.

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Sua maior paixão, no entanto, eram os escudos de times do mundo inteiro. Para dar vazão a ela, Bindi criou o site www.distintivos.com.br, auto-intitulado “o maior do mundo de escudos de times de futebol”, com 25.219 diferentes. Mas tinha mais de 50 mil em sua coleção particular. Também escreveu o livro Futebol É uma Caixinha de Surpresas, com casos surpreendentes do esporte bretão em todas as épocas, que acabou originando um blog de mesmo nome (http://futeboleumacaixinhadesurpresas.blogspot.com).

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E para não ficar só na tristeza, encerro esta homenagem com duas citações. A primeira, engraçada, como o bem-humorado “Bindão” gostaria de ver nessa coluna. Durante um dos programas do Marcelo Duarte, Bindi confessou que no dia em que um avião caiu perto de sua casa telefonou para a mãe, dona Erna, perguntando duas coisas:

1) A senhora está bem?

2) A minha coleção de escudos de times de futebol está salva?

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A segunda me foi mandada por ele por e-mail, no dia 26 de novembro de 2007. Seu Juventus havia se sagrado campeão da Copa FPF, mesmo perdendo para o Linense, na Rua Javari, por 3 a 2, sofrendo um gol aos 47 e marcando o que valeu o título aos 49 do segundo tempo. O texto abaixo é uma lição de vida para todos nós:

“Você corinthiano, flamenguista, são-paulino, palmeirense, vascaíno,

colorado, gremista, botafoguense, tricolores cariocas e baianos,

santista. Você, que vê seu time entre as 20 maiores torcidas do Brasil,

faça um exercício de abstração.

Pense que você não torce junto com mais 3 milhões de pessoas pelas

mesmas cores, pelo mesmo amor. Esqueça os títulos fartos, as vitórias

inesquecíveis e os craques indiscutíveis que passaram pelo seu time.

Vá até seu estádio preferido num dia sem jogo e sente-se nas

arquibancadas. Feche os olhos. Tenha consigo a companhia das pombas, dos

faxineiros da geral e da sua paixão pelo futebol. Imagine que junto de

você, existem outras 500 pessoas no Brasil inteiro. No mundo inteiro.

Pense que você torce para um time cuja torcida tem esse tamanho. Um time

que tem títulos esparsos e glórias advindas de vitórias sobre gigantes,

um solitário gol de bicicleta. Um clube quase de bairro, que todos dizem

amar, mas que poucos realmente sabem onde é o estádio.

Abstraia.

Conseguiu? O que você sentiu?

Pena? Compaixão? Achou graça? Se sentiu ridículo? Então volte para o seu

gigante. Ele estará lá, de braços abertos a lhe esperar.

Sentiu prazer? Achou uma sensação esquisitamente agradável? Sentiu-se

único, diferente? Pronto. Você descobriu o que é torcer para um time

pequeno. Agora, você de fato sabe o que é amar o futebol. Amor que é

amor sobrevive a tristezas, a vitórias tão raras quanto intensas, a

lágrimas carregadas de afeto.

Ontem, domingo, o Clube Atlético Juventus viveu uma de suas manhãs mais

gloriosas, mais inesquecíveis, mais inacreditáveis.

Entrei na Rua Javari, o mítico estádio paulistano. Aquele que parece ter

parado no tempo do futebol romântico, da bola laranja e das chuteiras

pesadas. Dos juízes de preto e das traves quadradas. Dos torcedores de

chapéu e das mulheres torcendo seus lencinhos, proibidas de gritar.

Estádio do Nonno, da Nonna. Estádio do time com camisa da Fiorentina e

nome da Juventus. Do time do Cotonifício Rodolfo Crespi. Estádio com

tribunas pintadas de grená, sem iluminação. Estádio no coração da Mooca,

talvez o bairro mais querido de São Paulo, bairro operário, bairro

italiano, bairro multinacional, multicultural.

E agora, campeão.

A inacreditável vitória sobre um valoroso Linense deu o título da Copa

FPF (cujo nome oficial homenageia os Heróis da Revolução de 32, em

esplêndida homenagem) ao time grená, que ganhou vaga para disputar a

Copa do Brasil em 2008.

Não ganharemos, provavelmente.

Mas somos tão felizes.

Abstraia. Feche os olhos.

Pelo menos, lhe trará paz.”


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