Assim como a Venezuela pode dizer que participa da Copa do Mundo, porque disputa as eliminatórias do campeonato mundial de seleções organizado pela Fifa, nanicos do futebol europeu como o Pyunik (de Yerevan, na Armênia), o Llanelli (do País de Gales), o Dudelange (de Luxemburgo) e o Santa Coloma (de Andorra) tiveram seus minutos de glória na Liga dos Campeões.
Pena que já acabou: todos eles foram eliminados na primeira rodada classificatória da competição para a temporada 2008/2009, encerrada no último dia 23.
Nesta terça-feira, teve início a segunda rodada, que mistura alguns nanicos sobreviventes – como o Anorthosis (de Larnaca, no Chipre), o Modrica (da Bósnia-Herzegóvina), o Sheriff (de Tiraspol, na Moldávia) e o Tampere United (da Finlândia) – com alguns clubes de maior tradição que costumam disputar a fase de grupos da Liga dos Campeões.
É o caso do Dínamo de Kiev (da Ucrânia), do Panathinaikos (de Atenas, na Grécia), do Glasgow Rangers (da Escócia), do Sparta Praga (da República Tcheca) e até do Fenerbahçe (de Istambul, na Turquia), que chegou às quartas-de-final na última temporada, sob o comando de Zico, substituído pelo espanhol Luis Aragonés, campeão europeu pela seleção de seu país.
Não fosse o blecaute dos canais esportivos, que não transmitem os jogos dessa fase (sobretudo em tempo de overdose olímpica), e haveria partidas divertidas a acompanhar – muitas delas, é razoável imaginar, mais disputadas do que alguns confrontos do Brasileirão.
Sem falar que, na terceira e última rodada classificatória, a partir de 12 de agosto, o bicho começa a pegar. Os nanicos que chegarem até lá vão encarar gigantes como Arsenal, Barcelona, Liverpool e Juventus, além de forças intermediárias como Atlético de Madri, Olympique de Marselha, Schalke 04 e Fiorentina.
Mas, na atual lógica do esporte, quem manda é a televisão. E a televisão decidiu que a Liga dos Campeões só vai existir em 16 de setembro, com o início da fase de grupos. Enquanto isso, de olho em Pequim.