Frederico Rodrigues de Oliveira, o Fred, foi zagueiro do Flamengo, de 1970 a 1975, e depois do Botafogo, entre outros clubes. Também defendeu a Seleção Olímpica, nos Jogos de Munique, em 1972. E é daquela época que ele tem uma incrível história a contar.
No dia 5 de setembro de 1972, o Brasil já havia encerrado sua participação na Olimpíada. Perdeu para a Dinamarca, por 3 a 2, no único jogo em que Fred atuou; empatou com a Hungria, em 2 a 2; e perdeu para o Irã, por 1 a 0, resultado que acabou desclassificando prematuramente aquela seleção, da qual o principal destaque era o meio-campista Falcão. Justamente por isso, os jogadores brasileiros ganharam folga, apesar de continuarem com o compromisso de voltar para a Vila Olímpica para dormir até o final dos Jogos.
Fred e Nielsen, o goleiro titular, voltavam juntos para a concentração, já no início da manhã, quando foram bruscamente abordados por um homem. Ele não falava português nem os jogadores falavam sua língua, mas, pelos gestos, dava para perceber que estava desesperado. Tentava, a qualquer custo, impedir que os jogadores entrassem na Vila Olímpica. E, segundo Fred, para conseguir isso ele teve que ser rude, muito rude, mesmo.
Somente algum tempo depois, quando já haviam se conformado em ficar do lado de fora, Fred e Nielsen vieram saber que, naquele mesmo momento em que eles tentavam entrar na Vila, oito terroristas palestinos invadiam o edifício número 31 da via Connollystrasse, onde se alojava a delegação de Israel, bem próxima de onde estavam os brasileiros.
Dois membros da delegação israelense foram mortos, outros nove feitos de reféns, e para libertá-los os palestinos exigiam a soltura de 236 compatriotas seus, presos em Israel, além de um avião para fuga. No aeroporto de Munique, já no dia seguinte, uma emboscada malfeita aos seqüestradores falhou, resultando na morte de todos os reféns, de um atirador da polícia alemã, do piloto de um helicóptero e de cinco dos oito terroristas do movimento Setembro Negro. Um daqueles oito era justamente o homem que impediu os brasileiros Fred e Nielsen de entrar na Vila Olímpica, preservando, assim, suas vidas.